Em um dia marcado por instabilidade no mercado financeiro, o dólar voltou a ganhar força e se aproximou de R$ 5,60, impulsionado principalmente pelo aumento das remessas de lucros e dividendos de empresas brasileiras ao exterior. O movimento ocorreu apesar de sinais positivos no cenário fiscal doméstico e contrastou com o desempenho mais favorável observado em bolsas internacionais.
A moeda norte-americana encerrou a sessão desta segunda-feira vendida a R$ 5,584, com alta diária de R$ 0,055, equivalente a 0,99%. Nos primeiros minutos de negociação, o câmbio chegou a operar em queda, mas inverteu o sinal após a abertura dos mercados dos Estados Unidos, quando cresceu a demanda pela divisa. O patamar é o mais elevado desde 31 de julho, quando o dólar também orbitava a casa de R$ 5,60.
No acumulado de dezembro, a moeda já registra valorização de 4,67%. No entanto, no balanço de 2025, ainda apresenta queda de 9,64%, refletindo períodos anteriores de maior entrada de capital estrangeiro e expectativas mais favoráveis em relação à política monetária.
O mercado acionário brasileiro também teve um dia negativo. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou aos 158.142 pontos, com recuo de 0,21%, interrompendo uma sequência de duas altas consecutivas. A pressão sobre as ações ocorreu em meio à elevação dos juros futuros, que reduzem a atratividade relativa da renda variável.
Mesmo com a aprovação do Orçamento de 2026 pelo Congresso Nacional e com a arrecadação recorde registrada pelo governo federal em novembro, o câmbio foi pressionado pelo forte fluxo de envio de recursos ao exterior. Empresas têm antecipado remessas diante das mudanças tributárias previstas para entrar em vigor.
A partir de 1º de janeiro, as remessas internacionais passarão a pagar 10% de Imposto de Renda, assim como o envio mensal de dividendos acima de R$ 50 mil. Com o fim da isenção garantida pela legislação atual, grandes companhias aproveitam os últimos dias de vigência das regras antigas para transferir recursos para fora do país.
No mercado de juros, a ausência de sinalizações claras sobre quando o Banco Central iniciará a redução da Taxa Selic, se em janeiro ou março, mantém os juros futuros em alta. Esse movimento estimula a migração de investimentos da bolsa para a renda fixa, ampliando a pressão sobre o mercado acionário.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

