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Números não mentem, mas podem enganar. É o caso do comportamento da economia brasileira em 2021, com base na variação do PIB (Produto Interno Bruto) divulgada nesta sexta-feira (4) pelo IBGE. O avanço forte da atividade no ano passado reflete apenas uma retomada diante do histórico mergulho registrado em 2020, em consequência das grandes restrições impostas pela pandemia de covid-19.

A economia cresceu 4,6% em relação a 2020 quando a queda foi de 3,9%. É uma alta incomum nos últimos 40 anos, quando o crescimento só foi maior do que esse em cinco ocasiões.

Comparado, porém, com o último ano de “normalidade”, o total da produção brasileira em 2021 está somente 0,6% acima do que foi produzido em 2019.

Além da fraca base de comparação, que explica o número robusto, a maior parte do crescimento do ano passado veio da herança deixada pelo aumento no ritmo de atividades no final de 2020, em função dos efeitos positivos do auxílio emergencial e outros programas de sustentação de renda e emprego.

Estimava-se que o “carregamento estatístico” de 2020 para 2021 teria sido próximo a 3,5%. Isso queria dizer que, mesmo não ocorrendo crescimento algum em cada um dos quatro trimestres do ano, a economia avançaria 3,5%, na variação anual.

De fato, houve crescimento em dois trimestres de 2021 – no primeiro, mais forte, de 1,4% sobre o trimestre anterior, e de 0,5%, no quarto trimestre, em relação ao terceiro – e retração nos dois outros. O resultado líquido mostra crescimento próprio pouco acima de 1 ponto percentual no ano passado, comparável ao observado de 2016 a 2019.

Como as projeções para a expansão da economia em 2022 convergem até aqui para um número abaixo de 1%, pode-se concluir que a economia brasileira, depois de dois anos atípicos, está de volta ao padrão de baixo crescimento que prevaleceu nos últimos cinco anos.

Passada a grande recessão de 2015 e 2016, quando o PIB acumulado recuou 7%, ainda não se produz no Brasil no mesmo volume do primeiro trimestre de 2014 e em nenhum ano de lá para cá, exceto agora 2021, a expansão chegou a 2%.

O carregamento estimado de 2021 para 2022 é de 0,3%. No boletim Focus, que reúne as projeções de uma centena de economistas, esta é, no momento, a mediana das previsões para o crescimento da economia em 2022. Ou seja, a se confirmar a estimativa, não se espera expansão autônoma da atividade neste ano.

Com inflação elevada e política de aperto nos juros básicos, mesmo com a prevista maior injeção de recursos pelo governo, de olho na eleição presidencial de outubro, o cenário é de estagflação, com poucas melhoras esperadas no emprego e na renda dos brasileiros.

 


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