O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro passou a defender publicamente a deputada federal Júlia Zanatta como candidata a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026. A manifestação foi feita por meio das redes sociais e recolocou o nome da parlamentar entre as alternativas analisadas pelo Partido Liberal para compor a candidatura que deverá ser oficializada durante a convenção nacional da legenda, prevista para ocorrer em julho.
Apesar da mobilização de Eduardo Bolsonaro, dirigentes do PL afirmam que a iniciativa não foi articulada previamente com a direção partidária e vem sendo tratada como uma posição individual. Nos bastidores, a avaliação predominante é de que a escolha do candidato a vice-presidente ainda permanece aberta e dependerá de negociações políticas que deverão ocorrer nas próximas semanas.
Integrantes da legenda reconhecem que a presença de uma mulher na chapa pode contribuir para ampliar o diálogo com parcelas do eleitorado feminino e fortalecer a imagem da candidatura em segmentos onde o bolsonarismo tradicionalmente encontra maior resistência. Ainda assim, lideranças partidárias destacam que a definição final levará em consideração fatores mais amplos, como a capacidade de atrair apoios políticos e eleitorais fora da base já consolidada do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora Júlia Zanatta seja vista como uma das parlamentares mais identificadas com as pautas defendidas pelo bolsonarismo, há dirigentes que consideram que sua eventual indicação teria alcance mais limitado junto a setores moderados, empresariais e eleitores de centro.
Paralelamente, outros nomes continuam sendo discutidos internamente. Entre eles está o da senadora Tereza Cristina, considerada por parte do partido como uma alternativa capaz de ampliar pontes com o agronegócio e outros segmentos produtivos. Ex-ministra da Agricultura, ela possui perfil considerado mais moderado e mantém interlocução com diferentes grupos políticos.
Apesar disso, aliados relatam que a própria senadora demonstra resistência à possibilidade de integrar uma chapa presidencial. Diante desse cenário, a definição segue em aberto, enquanto o PL busca equilibrar a mobilização da militância com a necessidade de ampliar seu alcance eleitoral em uma disputa que promete permanecer fortemente polarizada.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

