O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a defender nesta quinta-feira (18) que os Estados Unidos imponham sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e declarou que o ex-presidente Donald Trump está “pessoalmente envolvido” nas tratativas internacionais com o Brasil. Segundo ele, a única forma de encerrar a escalada de tensões com o governo norte-americano seria com uma “anistia ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
“Lula e Moraes estão sem controle, abusando de seus poderes, cometendo atos jamais feitos pela Suprema Corte”, afirmou Eduardo em publicações nas redes sociais. O parlamentar reforçou sua narrativa ao classificar os condenados pelos ataques às instituições como “presos políticos” e os brasileiros que deixaram o país como “jornalistas e políticos exilados”. Para ele, há uma “censura descarada” em curso no país.
“O Brasil só poderá retornar a uma mínima normalidade democrática se os Estados Unidos sancionarem Moraes”, afirmou. “Isso só se resolve através de uma anistia ampla, geral e irrestrita”, completou. Segundo o deputado, sem um recuo do governo brasileiro, o país corre o risco de enfrentar uma “escalada de sanções devastadora”.
Na quarta-feira (17), Eduardo afirmou que esteve na Casa Branca para “buscar justiça” e “resgatar liberdades no Brasil”. Segundo ele, o encontro foi realizado a convite das autoridades americanas para prestar “atualizações” sobre a reação do Brasil às tarifas impostas recentemente pelos EUA. “Trump está pessoalmente envolvido e não há chance de recuo sem um gesto concreto do governo brasileiro. Se nada for feito, o tempo está acabando”, declarou.
Ao lado de Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura João Batista Figueiredo, Eduardo divulgou um vídeo relatando os bastidores das conversas em Washington. “Isso realmente está na pauta, está na cabeça do Trump, não é algo secundário. Eles de fato estão olhando muito de perto”, disse o deputado. Segundo ele, na terça-feira (16) houve uma reunião com cerca de oito autoridades no Departamento de Estado norte-americano, “o que mostra a prioridade dada ao assunto”.
Figueiredo também destacou que “ficou bastante claro” o envolvimento direto de Trump nas decisões e que não há “a menor hipótese” de as sanções serem retiradas sem uma sinalização do Brasil. “Outra coisa que ficou bastante clara para a gente é que não parou por aí. A Seção 301 é o início de uma jornada que pode ser tenebrosa para o Brasil”, afirmou, referindo-se ao instrumento legal norte-americano que permite aplicação de tarifas comerciais em caso de práticas consideradas desleais.
O grupo também mencionou discussões com autoridades americanas sobre eventuais punições a Moraes e outros nomes ligados ao Supremo e ao governo. “Esse tema foi amplamente tratado”, disse Figueiredo.
Segundo Eduardo, Trump já obteve vitórias em confrontos semelhantes com o Canadá, o México, a União Europeia e outros alvos recentes, como a Universidade de Harvard e o governo da Colômbia. “Até agora, ninguém conseguiu ganhar as disputas que o Trump abraçou e trouxe para a mesa dele, como essa do Brasil. Não acho que o Brasil vai ganhar”, declarou.
Figueiredo finalizou com um apelo: “A gente faz um apelo para que as autoridades evitem que o Brasil entre nesse caminho desastroso desnecessariamente. Que a responsabilidade impere e que as pessoas não se furtem ao papel que a história exige delas.” Segundo ele, tanto ele quanto Eduardo lutam “para evitar uma tragédia”.
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