Uma pesquisa recente do Datafolha revelou que ao menos 40% da população de Belo Horizonte relatou que a saúde foi muito afetada pelas queimadas que ocorreram no Brasil nas últimas semanas. A pesquisa, que também incluiu São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, indicou que a capital mineira está entre as mais impactadas pelos efeitos da fumaça gerada pelos incêndios florestais.
Em Belo Horizonte, o impacto das queimadas vai além da saúde. A pesquisa mostra que 56% dos moradores disseram que foram muito afetados de forma geral por essa situação. Esse percentual é o mais alto entre as quatro capitais pesquisadas. Em São Paulo, o índice foi de 47%, enquanto no Rio de Janeiro e Recife, o número caiu para 33% e 37%, respectivamente. Apenas 4% dos entrevistados em Belo Horizonte afirmaram que sua vida foi pouco ou nada afetada pela fumaça das queimadas.
No que diz respeito especificamente à saúde, tanto Belo Horizonte quanto São Paulo registraram uma nota média de 7 em uma escala de 0 a 10, na qual 0 representa que a pessoa não foi afetada e 10 significa que foi muito impactada. Em comparação, o Rio de Janeiro teve uma nota média de 6, enquanto no Recife a nota foi de 5. Quando se analisa o impacto geral na vida cotidiana, Belo Horizonte obteve uma média de 8, destacando-se como a cidade mais afetada pelo fenômeno, junto com São Paulo.
A pesquisa foi realizada nos dias 17 e 18 de setembro de 2024, com entrevistas presenciais em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Em Belo Horizonte, foram entrevistadas 910 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais. A amostra abrangeu pessoas com 16 anos ou mais em todas as capitais.
Outro dado importante foi o desempenho das autoridades no enfrentamento às queimadas e à fumaça. Mais de dois terços dos moradores das quatro capitais pesquisadas consideram que as ações das gestões federal, estadual e municipal estão aquém do necessário. Em Belo Horizonte, esse sentimento de insatisfação foi especialmente elevado, com muitos habitantes criticando a falta de medidas adequadas para mitigar os impactos da poluição. No Rio de Janeiro e Recife, a insatisfação com as prefeituras foi menor, embora ainda significativa, com 55% dos recifenses expressando descontentamento.
A pesquisa também destacou a percepção sobre os governos estaduais, que receberam as piores avaliações em todas as cidades. Para os eleitores das quatro capitais, 74% acreditam que os governadores não estão fazendo o suficiente para lidar com a crise das queimadas. Esse dado reflete o descontentamento generalizado em relação às ações dos estados diante da degradação da qualidade do ar e dos efeitos negativos à saúde.
A situação é especialmente preocupante em Belo Horizonte, onde os níveis de poluição atmosférica aumentaram substancialmente devido às queimadas. O Datafolha apontou que os moradores da cidade têm sentido os efeitos de maneira mais intensa, e o impacto na saúde tem sido significativo. As queimadas se tornaram uma crise de saúde pública, especialmente para as populações mais vulneráveis.
Em termos de qualidade do ar, Belo Horizonte registrou altos níveis de partículas finas (PM2.5), associadas às queimadas, nas últimas semanas. Esses níveis estão muito acima do considerado saudável, o que explica os altos índices de impacto à saúde revelados pela pesquisa.
Esses dados evidenciam a gravidade da situação em Belo Horizonte, onde os efeitos das queimadas vão além da saúde individual, afetando o cotidiano e o bem-estar de uma grande parte da população.

