Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae-myung anunciaram, nesta segunda-feira, em Seul, um conjunto de acordos entre Brasil e Coreia do Sul que abrangem agricultura, tecnologia, medicamentos, além do fortalecimento do intercâmbio cultural e educacional. A declaração conjunta reforçou o compromisso de ampliar o comércio bilateral e aprofundar a cooperação estratégica entre os dois países.

Após a visita oficial à Índia, Lula reuniu-se pela manhã com o presidente coreano. Em entrevista, ambos destacaram a defesa dos valores democráticos, o fortalecimento da soberania popular e a necessidade de enfrentamento a cenários marcados por extremismo, desinformação e ameaças autoritárias, ressaltando a convergência política entre as duas nações.

Lula lembrou visitas anteriores ao país asiático, realizadas em dois mil e cinco e dois mil e dez, durante a Cúpula do G20, e observou que a ausência de chefes de Estado brasileiros desde então não condizia com a densidade das relações sociais e econômicas existentes. Segundo ele, a decisão de elevar o relacionamento ao patamar de Parceria Estratégica inaugura um novo ciclo de cooperação, sustentado por um Plano de Ação para os próximos três anos.

O presidente brasileiro enfatizou a relevância dos laços comerciais. O Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina, e a Coreia do Sul figura como o quarto parceiro comercial do país na Ásia, com intercâmbio de US$ 11 bilhões. Para Lula, esse cenário cria bases para um ciclo renovado de desenvolvimento e prosperidade compartilhada.

Também foram apontadas áreas de complementaridade produtiva. A transição energética, segundo o presidente, abre novas frentes de cooperação, assim como as cadeias de minerais críticos, que oferecem oportunidades de agregação de valor. Ele citou ainda o potencial de parcerias em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial.

Entre os instrumentos firmados está um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, destinado a facilitar o comércio bilateral, promover harmonização regulatória e ampliar a segurança jurídica para empresas. Um memorando adicional prevê cooperação financeira em agendas de interesse comum. Lula afirmou ainda que discutiu caminhos para retomar as negociações entre o Mercosul e a República da Coreia, interrompidas em dois mil e vinte e um.

Na área da saúde, a colaboração foi destacada como estratégica. Os acordos abrangem produção de medicamentos e vacinas, pesquisa em diagnósticos de doenças transmissíveis e crônicas, além de iniciativas em genômica avançada e saúde digital, ampliando o escopo da parceria bilateral.

O governo brasileiro avalia que a aproximação fortalece investimentos, inovação, empregos qualificados e a presença do país em cadeias globais, ampliando oportunidades para empresas e universidades.

Foto: Ricardo Stuckert/PR


Avatar

administrator