O empresário Leandro Sofka, sócio da agência de viagens Pimentur, contestou nesta terça-feira (15) a versão apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e afirmou que emitiu passagens aéreas para o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e familiares no fim de 2022. A declaração ocorre após a PGR alegar, em suas alegações finais na ação penal que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro, que Torres apresentou um bilhete falso para justificar sua ausência de Brasília no período das invasões.

De acordo com a PGR, que protocolou o documento junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (14), o bilhete apresentado por Torres seria inválido, o que comprometeria a sua versão de que a viagem estava programada com antecedência. A defesa do ex-ministro ainda não se manifestou oficialmente, assim como a própria Procuradoria.

Leandro Sofka, no entanto, declarou que a reserva foi feita em 21 de novembro de 2022, às 10h58, para voos da Gol Linhas Aéreas marcados para os dias 6 e 21 de janeiro de 2023, com saída de Brasília e destino a Orlando, nos Estados Unidos. Ele explicou que o código localizador citado no bilhete não pode mais ser acessado por se tratar de um sistema de seis dígitos, cujas combinações são reaproveitadas com o passar do tempo.

“A respeito do localizador da reserva, precisa ficar claro que é um localizador de 21/11/2022. Esse localizador, se consultado agora, depois de quase três anos, ou não existirá ou é reaproveitado, uma vez que são seis dígitos e, com o tempo, as combinações se esgotam e são reiniciadas”, afirmou o empresário, acrescentando que está à disposição do STF para prestar esclarecimentos formais.

Sofka também apresentou um comprovante do sistema interno da agência com os dados da emissão e do faturamento das passagens aéreas. A documentação, segundo ele, será anexada ao processo em curso no Supremo.

Em nota enviada à PGR, a companhia aérea Gol declarou que o localizador mencionado “não condiz com os dados descritos em nome de Anderson Torres” e que não localizou voos entre Brasília e Orlando atribuídos ao ex-ministro. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, classificou o fato como “escandaloso” e apontou indícios de tentativa deliberada de omissão por parte de Torres.

“A escandalosa constatação coloca em xeque a versão do réu de que sua viagem já se encontrava agendada desde muito antes e confirma a sua estratégia deliberada de afastamento e conivência com as ações violentas que se aproximavam”, afirmou Gonet nas alegações finais.

Foto: Ton Molina/STF

 


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