Diante da informação inarredável de que o núcleo duro dos seguidores da seita do “mito” são irreconciliáveis com a verdade terrena, é preciso que todos estejamos convencidos de que, nesse caso, tentar estabelecer qualquer diálogo com essa “turba”, é perda de tempo.

Portanto, encaremos os fatos. Há uma parcela de cerca de 9% de votos indecisos a serem conquistados e, esperemos, sejam pessoas atentas à vida política do país. Neste caso, vale tentar estabelecer diálogo com eles e levar informações claras, na busca de que não só se animem a ir até às urnas, como votem por um país democrático.

Isto posto, vamos aos fatos. Todos torcemos para que os 9% de indecisos sejam também pessoas que procurem se informar além das fake news do zap. Caso assim seja, é preciso contar para eles que nesta segunda-feira (17/10) – segundo à repórter Julia Lindner, do Estadão -, Michelle Bolsonaro e Damares Alves (que vinham tentando se encontrar, em segredo, com as meninas venezuelanas difamadas), conseguiram avistá-las, na sede de uma ONG ligada aos Direitos Humanos.

A intenção era a de que gravassem um vídeo isentando Bolsonaro de tê-las violentado com a sua fala inescrupulosa, quando as rotulou de prostitutas, sem nem sequer perguntar ao grupo de meninas “bonitinhas e arrumadas” o que faziam ali. Eram garotas de programa, em sua mente machista e sórdida.

No melhor estilo do “está bom pra mim”, Michelle buscava uma saída para o crime de prevaricação do marido – que não tratou de mandar investigar a sua desconfiança quanto às atividades das refugiadas -, bem como para a manutenção do seu posto de primeira-dama.

Receosas, e mais uma vez aviltadas, as meninas recusaram a proposta de gravarem um vídeo – conforme queria a dupla – inocentando o presidente do Brasil e candidato ao bis. O caso tem sido acompanhado de perto pela Defensoria Pública da União e pelo Ministério Público do Distrito Federal.

Diante da recusa, a alternativa foi um encontro fechado, com as atingidasentre a primeira-dama Michelle Bolsonaro e a ex-ministra e senadora eleita Damares Alves.

O encontro foi intermediado pela “embaixadora” fake, da Venezuela, Maria Teresa Belandria, indicada pelo presidente autoproclamado do país, Juan Guaidó. Seu cargo tem tanta validade quanto uma notinha de três Reais. Notoriamente, Belandria é da ultradireita em seu país e aqui apoia Bolsonaro.

O resultado dessa agenda/contrabando foi um vídeo gravado por Bolsonaro, Michelle e a “embaixadora” da Venezuela, Maria Teresa Belandria.

Se as minhas palavras, que por má-fé foram tiradas de contexto, de alguma forma foram mal-entendidas ou provocaram algum constrangimento às nossas irmãs venezuelanas, peço desculpas”, afirmou ele no vídeo.

Ora, Bolsonaro, quem trouxe o contexto foi você, no desespero de se colocar como baluarte da “família” e dos “bons costumes”, enlameando a reputação de meninas refugiadas que buscavam uma vida melhor em nosso país.

Suas palavras foram claras e tiveram conotação sexual, sim. Já foram ouvidos especialistas, pesquisadas as suas falas e “pintou um clima” quer dizer exatamente isto: “pintou um clima”. E se agora você não está gostando do “clima” que pintou em sua casa, ou teme o “climão” em seu eleitorado – aquele, que ainda talvez lhe desse o voto -, arrume-se, para não conjugar verbo pior, aqui. Não sou dessas.

Para escapar às suas responsabilidades, como é de seu costume, o presidente disse que associou as venezuelanas a um suposto esquema de prostituição por “preocupação”, “no sentido de evitar qualquer tipo de exploração que estavam as vulneráveis”, mas depois constatou que eram trabalhadoras. Depois quando??? Depois de jogá-las no seu julgamento precipitado, indecoroso e abusivo???

Não cola. Nem para mim e, espera-se, nem para os 9% de indecisos que ainda poderiam tender – por desinformação – para o seu lado. Em casa você pode cantar para a sua mulher: “se ajeite comigo e dê graças a Deus!”. Na urna o som é outro. O “Primmm” de final de voto terá o ritmo da indignação dos que não se deixam enganar por suas desculpas esfarrapadas.


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