O “dia negro” na história da dívida dos EUA pode chegar já em 1º de junho. Em 22 de maio, a secretária do Tesouro Janet Yellen alertou mais uma vez que o Tesouro não terá como pagar suas obrigações, enquanto Biden disse no G7 em Hiroshima que descarta a possibilidade de inadimplência.

A dívida pública nos EUA é limitada por lei. Atualmente, ela atingiu US$ 31,4 trilhões (R$ 155,65 trilhões).

Cabe ao Congresso dos EUA aumentar o teto da dívida nacional. Mas este ano essa questão se tornou um objeto de negociação entre republicanos e democratas.

O Partido Republicano, com maioria na Câmara dos Representantes, apresentou uma condição: votará a favor do aumento do teto se o governo democrata concordar com cortes significativos nos gastos orçamentários.

Em particular, eles propõem cortar os benefícios fiscais para a compra de carros elétricos e a instalação de painéis solares, além de reduzir os gastos públicos com o pagamento de empréstimos para educação.

Para os democratas, se quiserem vencer a eleição presidencial em 2024, esses termos são inaceitáveis.

Segundo o cientista político da Escola Superior de Economia da Rússia Dmitry Yevstafiev, não há razões econômicas para uma inadimplência, sendo mais uma questão política.

“A discussão para aumentar o teto da dívida entre republicanos e democratas existe porque a maioria republicana na Câmara dos Representantes dos EUA quer tirar o governo Biden das sombras, porque nos últimos anos muitas das decisões econômicas do governo dos EUA foram tomadas sem consultar o Congresso, de forma obscura, até pode se dizer ilegal”, disse o especialista.

Os republicanos acusam o governo Biden, o Tesouro, o Departamento de Estado e o Departamento de Defesa de violar a lei norte-americana. Yevstafiev estima a probabilidade de inadimplência de 7-8%, não a descartando totalmente.

Porque a inadimplência pode ser usada como uma arma financeira capaz de desencadear uma crise financeira nos principais concorrentes dos Estados Unidos à medida que as tensões políticas aumentam. E agora é o melhor momento para fazer isso”, explica ele.

Em um cenário de crescentes tensões político-militares globais, é muito mais fácil e politicamente mais legítimo descartar todas as dívidas, afirma Yevstafiev.

A parte externa da dívida é só de US$ 7 trilhões (R$ 34,7 trilhões), o resto pertence aos cidadãos e empresas norte-americanos. E, já que a dívida não precisa ser paga imediatamente, os Estados Unidos podem aproveitar a situação para pressionar outros países, de acordo com o especialista financeiro da Universidade Financeira do Governo da Rússia, Vladimir Skalkin.

“Podem pagar a alguns [países] e não a outros. Consequentemente, alguns países podem acabar sendo vítimas dessa inadimplência. Esses são os países sobre os quais os EUA desejarão ter um impacto geopolítico.”

Por outro lado, segundo o analista econômico Mikhail Belyaev, o principal para os EUA é não deixar que surjam dúvidas sobre a estabilidade de sua economia. Porque neste caso as pessoas vão investir não apenas em títulos norte-americanos, mas também em títulos de outros Estados (chineses, árabes, etc.).

Portanto, o principal para os EUA é não deixar que surjam dúvidas sobre a estabilidade da economia e da dívida dos EUA […] Acho que a probabilidade de inadimplência é baixa, porque há muitas ferramentas para evitá-la”, acredita Belyaev.

A mídia informou que o presidente Biden e o presidente da Câmara dos Representantes, Kevin McCarthy, mantiveram conversações em 22 de maio, mas não conseguiram chegar a um acordo sobre o teto da dívida. No entanto, ambos continuam otimistas.

McCarthy espera conversar com Biden todos os dias até que se chegue a um acordo.


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