Os filhos do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975, foram oficialmente reconhecidos como anistiados políticos pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A decisão beneficia Ivo Herzog e André Herzog, que também receberão um pedido formal de desculpas do Estado brasileiro e indenização individual no valor de R$ 100.000.

O reconhecimento foi formalizado por meio de portaria publicada na edição de segunda-feira, dia doze, do Diário Oficial da União, assinada pela ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo. O ato amplia o processo de reparação histórica já reconhecido pelo Estado em relação à família Herzog.

Em nota oficial, o ministério destacou que, em dois mil e vinte e quatro, a condição de anistiada política já havia sido concedida a Clarice Herzog, viúva do jornalista. “A decisão amplia o processo de reparação já reconhecido pelo Estado em relação à família Herzog”, afirmou a pasta, ao justificar a extensão do reconhecimento aos filhos.

Relatora dos pedidos de anistia e conselheira da Comissão de Anistia, Gabriela de Sá explicou que a medida representa um passo importante no enfrentamento das consequências da repressão política. Segundo ela, o reconhecimento da anistia dos filhos de Vladimir Herzog configura uma reparação histórica diante de traumas que se estenderam por gerações.

“São considerados anistiados políticos todos aqueles que sofreram atos institucionais ou de exceção em sua totalidade. Quando se impõem restrições à convivência familiar, estamos diante de uma violação direta dos direitos dos filhos e filhas de perseguidos políticos”, afirmou a conselheira.

De acordo com Gabriela de Sá, a análise da documentação apresentada demonstra o impacto profundo sofrido por Ivo e André desde a infância. “Os irmãos foram afetados pelas disputas em torno das versões oficiais sobre o assassinato do pai e pela exposição pública da imagem de Vladimir Herzog morto na cela do DOI-CODI”, destacou.

Para a conselheira, o reconhecimento reafirma a necessidade de o Estado brasileiro assumir responsabilidades por violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura e garantir memória, verdade e reparação às famílias atingidas.

Foto: Scarlett Rocha/Agência Brasil


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