O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, foi preso nesta quinta-feira em operação da Polícia Federal sob suspeita de atuar como “mandatário” do banqueiro Daniel Vorcaro em negociações envolvendo o banco estatal. A prisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a decisão, há indícios de que Costa operava diretamente em favor dos interesses de Vorcaro dentro do BRB. Em contrapartida, ele teria recebido imóveis avaliados em cerca de R$ 150 milhões. As suspeitas incluem crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações contra o sistema financeiro nacional.
As investigações se baseiam, entre outros elementos, em trocas de mensagens entre os dois. Os diálogos indicam proximidade e alinhamento em negociações, com menções a esforços conjuntos para viabilizar operações. Em uma das mensagens, Costa afirma que estava empenhado em resolver questões relacionadas aos negócios, enquanto em outra destaca o alinhamento pessoal e demonstra entusiasmo com projetos em comum.
Segundo a decisão judicial, os registros apontam para uma atuação coordenada e indicam possível troca de vantagens indevidas. Há também referências a benefícios, como a disponibilização de imóveis de alto padrão, que podem ter sido utilizados como forma de compensação.
A investigação aponta ainda que Vorcaro demonstrava preocupação em atender às demandas de Costa. Em uma conversa, ao tratar de um imóvel de luxo, o banqueiro teria manifestado interesse em garantir a satisfação do então dirigente do banco público.
A operação também resultou na prisão do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro do grupo investigado. As apurações envolvem transações de grande porte entre o BRB e o Banco Master e buscam esclarecer possíveis irregularidades estruturadas para viabilizar operações financeiras e contornar mecanismos de controle.
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