O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras do país tem provocado aumento no preço do feijão e impactado diretamente o custo da cesta básica nas capitais brasileiras. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta alta nos preços dos alimentos essenciais em todas as 27 capitais do país.
De acordo com os dados, São Paulo segue com a cesta básica mais cara, alcançando R$ 883,94, enquanto Aracaju apresenta o menor custo médio, de R$ 598,45. Entre os itens que mais pressionaram os preços estão o feijão, a batata, o tomate, a carne bovina e o leite, sendo que os três primeiros foram diretamente afetados pelas condições climáticas adversas.
O impacto das chuvas foi especialmente significativo na produção de feijão, que registrou aumento em todas as capitais. No caso do feijão preto, os reajustes variaram entre 1,68%, em Curitiba, e 7,17%, em Florianópolis. Já o feijão carioca teve elevação ainda mais expressiva, com alta que chegou a 21,48% em Belém.
Segundo especialistas, o principal fator para essa elevação foi a redução da oferta, causada por dificuldades na colheita e diminuição da área plantada na primeira safra, além da expectativa de menor produção na segunda safra. O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Lüders, explicou que o cenário não significa necessariamente maior lucro para os produtores, já que a produtividade foi afetada.
De acordo com ele, muitos agricultores colheram menos do que o esperado devido às condições climáticas desfavoráveis. Em alguns casos, lavouras que poderiam render 60 sacas produziram apenas entre 30 e 40 sacas, evidenciando os prejuízos causados pelas chuvas em estados como Paraná e Bahia.
Além disso, houve atraso na produção em regiões como Mato Grosso do Sul, onde o excesso de chuva reduziu a janela entre culturas e levou à substituição do feijão carioca por variedades voltadas à exportação.
Atualmente, o feijão carioca chega a ser comercializado por cerca de R$ 350 a saca, com expectativa de possível redução apenas a partir do segundo semestre, quando a safra irrigada for colhida. Já o feijão preto mantém preços entre R$ 200 e R$ 210, mas a tendência é de alta, diante da menor área plantada e da pressão sobre os estoques.
O levantamento também mostra que o custo da cesta básica compromete uma parcela significativa da renda do trabalhador. Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621,00, é necessário dedicar cerca de 48,12% da renda líquida para adquirir os itens básicos.Em termos de tempo de trabalho, isso representa aproximadamente 97 horas e 55 minutos mensais para garantir a alimentação essencial. Apesar de uma leve melhora em relação ao ano anterior, o peso da alimentação no orçamento familiar segue elevado.
O estudo ainda aponta que o salário mínimo ideal para atender às necessidades básicas de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99, valor equivalente a 4,58 vezes o piso atual.
Diante desse cenário, fatores como clima, custos de produção e dinâmica do mercado internacional continuam influenciando os preços dos alimentos, mantendo a pressão sobre o custo de vida nas principais cidades brasileiras.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

