O Exército brasileiro possui vinte alojamentos de estado-maior em Brasília que podem ser utilizados para receber o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros militares caso o Supremo Tribunal Federal (STF) condene os envolvidos na trama golpista e determine que eles cumpram prisão em quartel. Esses quartos contam com banheiro privativo, cama, armário, mesa com cadeira, televisão e frigobar, oferecendo uma estrutura diferenciada para oficiais de alta patente.

A maioria dessas instalações está localizada no Setor Militar Urbano, na região central da capital federal, onde também funciona o Comando do Exército. Em todo o país, existem aproximadamente seiscentas organizações militares, cada uma equipada com um alojamento semelhante destinado a oficiais.

Além de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar sob vigilância externa, atualmente seis oficiais do Exército estão detidos preventivamente. Entre eles está o general de quatro estrelas Braga Netto, que se encontra em um alojamento de estado no Comando da 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar, no Rio de Janeiro. Ele é réu na ação penal que começou a ser julgada nesta semana no STF, ao lado do ex-presidente e de outras seis pessoas.

De acordo com integrantes do Ministério da Defesa, a Polícia Federal também dispõe de instalações para receber os réus. Outra possibilidade é que eles cumpram pena em presídios comuns, como o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, que possui uma ala com celas especiais.

Um interlocutor da caserna afirmou que os alojamentos do Exército só serão utilizados caso o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF, considere a medida adequada. Nos bastidores, militares já preveem a condenação de todos os réus nesta primeira fase, incluindo o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa no governo Bolsonaro e integrante do núcleo principal da trama golpista.

O julgamento tem causado desconforto nas Forças Armadas, pois os militares são treinados desde a formação a cultivar o chamado espírito de corpo. Por esse motivo, a orientação entre a cúpula do Exército é manter silêncio absoluto, evitando declarações ou movimentações públicas relacionadas às prisões.

Entre os oficiais detidos, além de Braga Netto, há um em Manaus e os demais em Brasília. Também está sendo julgado nesta fase inicial o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha no governo Bolsonaro. Um alto integrante das Forças avalia que a tensão permanecerá mesmo após as condenações, devido aos efeitos das sentenças e às discussões sobre possível anistia. Procurado, o centro de comunicação do Exército não se pronunciou.

Foto: Exército / Divulgação

 

 


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