O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, marcou para esta quarta-feira um almoço com os demais integrantes da Corte em uma tentativa de reduzir tensões internas e alinhar posições diante de julgamentos considerados sensíveis. A iniciativa ocorre em meio a um cenário de pressão externa e divergências entre ministros, mas enfrenta resistência dentro do próprio tribunal.
Segundo informações de bastidores, ao menos 2 ministros não devem comparecer ao encontro, o que evidencia as dificuldades da presidência em promover um ambiente de convergência neste momento. A ausência de integrantes da Corte é interpretada como um sinal claro do desgaste nas relações internas, agravado por episódios recentes que abalaram a confiança entre os magistrados.
Reservadamente, um ministro afirmou que o ambiente ainda está contaminado por acontecimentos recentes. Entre eles, foi lembrada a reunião anterior que acabou sendo gravada, episódio que antecedeu a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master. O episódio gerou forte repercussão negativa e aprofundou a desconfiança entre os membros do tribunal.
Desde que assumiu a presidência do Supremo, em setembro de 2025, Fachin tem promovido encontros periódicos com os colegas com o objetivo de discutir pautas relevantes e questões administrativas. No entanto, a adesão aos encontros diminuiu significativamente nos últimos meses, especialmente após o agravamento da crise institucional envolvendo o caso Master.
O almoço desta quarta-feira ocorre no mesmo dia em que o Supremo retoma o julgamento sobre os chamados penduricalhos, verbas indenizatórias que permitem a servidores públicos ultrapassar o teto constitucional. A análise envolve a confirmação de decisões liminares dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes que determinaram a suspensão desses pagamentos.
Além disso, na quinta-feira, a Corte deve analisar a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prorrogação da CPI do INSS. O tema também é considerado sensível, pois coloca o tribunal no centro de disputas políticas com potencial de ampliar o desgaste institucional.
Nos bastidores, ministros avaliam que a combinação desses julgamentos contribui para elevar a tensão dentro do Supremo. Há receio de que as decisões possam intensificar a pressão do Congresso Nacional sobre a Corte, sobretudo em um contexto pré-eleitoral, quando as disputas políticas tendem a se acirrar.
Na semana passada, Fachin chegou a se reunir com ministros considerados mais críticos à sua gestão, na tentativa de reduzir o nível de conflito interno. No entanto, relatos indicam que o encontro não produziu o efeito esperado e acabou ampliando as divergências já existentes entre diferentes grupos dentro do tribunal.
Diante desse cenário, a tentativa de alinhamento promovida pela presidência enfrenta obstáculos significativos. A expectativa é que os próximos julgamentos e a capacidade de diálogo entre os ministros sejam determinantes para a estabilidade interna da Corte nas próximas semanas.
Foto: Antônio Augusto/STF

