Feminicídio: crime hediondo motivado pelo ódio às mulheres

O programa Fala Mulher desta semana recebe a advogada Márcia Zoia, vice-presidenta da Comissão Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica da OAB Barro Preto, para falar sobre o feminicídio. Formada em Psicologia e Direito, atua no acolhimento psicológico e jurídico de mulheres vítimas de violência em Belo Horizonte, principalmente na região do Barro Preto. Márcia inicia sua fala trazendo dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM), lançado pelo Ministério das Mulheres em abril.

O estudo mostra que, em 2024, houve 1450 feminicídios no Brasil, e que a cada quatro minutos, uma mulher é estuprada. Ela destaca que as penas da Lei do Feminicídio são brandas e que a sua aplicabilidade é falha, criando um cenário de terror e impunidade. “A vida de alguém não vale só 40 anos!”, afirma.

Para a advogada, esse ódio estrutural contra o gênero feminino se manifesta de forma sutil dentro das relações, começando com “violências silenciosas”, até evoluir para a agressão física ou até para o assassinato. Ela cita a violência psicológica como a pior forma de agressão, que adoece as mulheres em silêncio e pode levar ao desenvolvimento de doenças como fibromialgia. Por isso, reitera a importância de não ignorar os sinais que antecedem abusos: as chamadas red flags (bandeiras vermelhas). “Nenhuma relação começa com tapa, mas ela começa com flores, bombons e jantares. Mas quando isso acontece, é preciso sair fora e pedir ajuda”.

A advogada relata um caso de violência que atendeu há 30 anos, quando uma amiga terminou um relacionamento abusivo após seu ex colocar fogo em todas as suas roupas. Sua amiga foi preservada de um futuro feminicídio, em uma época em que o termo nem era conhecido. Márcia revela que 80% desses casos ocorrem devido ao fato de homens possessivos não aceitarem o fim de relacionamentos.

Por fim, destaca a importância da solidariedade coletiva e do fortalecimento de redes de apoio no acolhimento das mulheres vítimas dessa mazela social. Para conhecer mais sobre o trabalho de Márcia, basta seguir seu perfil nas redes sociais @‌marciazoia.

 

 

 


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