A liberação das armas não entrou na reação de deputados federais e senadores contra o STF (Supremo Tribunal Federal) porque falta consenso na oposição sobre o tema. O levante conservador contemplou, por exemplo, o combate à descriminalização das drogas e do aborto.

Temos a oposição dividida sobre defender as armas e o governo unido contra.

O Congresso acelerou a tramitação de projetos que barram flexibilizações relativas à decriminalização das drogas e do aborto. Foi uma reação a julgamentos no Supremo sobre esses temas, o que parlamentares veem como tentativa de legislar no lugar deles.

Senadores e deputados bolsonaristas estão à frente dessa movimentação, que inclui bandeiras de Jair Bolsonaro (PL). Mas a liberação das armas, assunto caro ao ex-presidente, ficou de fora.

O senador Marcos Rogério (PL-RO) afirmou que não existe um consenso na oposição a respeito do tema.

A bancada evangélica é um dos setores sem unidade sobre isso, diz o pastor e deputado Eli Borges (PL-TO). Ele esteve à frente do grupo até o meio do ano e disse que nunca participou de um debate sobre a liberação das armas.

Também pastora, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) entende que o assunto não tem consenso entre os evangélicos. Além disso, diz que as prioridades do momento são outras.

Para ela, aborto e drogas têm mais eco entre a população, além de ter a vantagem de unir mais as pessoas em torno do assunto. Segundo ela, há outros setores na oposição que defendem mais as armas.

O senador Jorge Seif (PL-SC) acrescentou que faltariam votos caso houvesse insistência em avançar com o tema e não se deve entrar numa disputa sem chances de vitória.

Ao tratar de drogas e aborto, existe a expectativa de aprovar projetos mais duros. Mas a pauta pró-armamentista não vê o mesmo cenário.

Os parlamentares da chamada bancada da bala consideram que a luta é para não perder terreno. Zanatta diz que trabalha trabalha para que as restrições não aumentem, enquanto não espera qualquer tipo de facilitação no acesso a armas.

Segundo ela, Lula fez do desarmamento uma promessa de campanha, agora transformada em política de governo.

Seif concordou, citando como exemplo o decreto que aumentou em até 55% o imposto para revólveres, pistolas, espingardas e carabinas. Ele foi assinado por Lula na última terça-feira (31).

Ele reitera um argumento de Bolsonaro sobre a situação ao defender que o bandido continua armado e o “cidadão de bem” fica desarmado.

A deputada acrescentou que o uso de decretos acaba tornando mais fácil sua suspensão pelo Executivo na troca de governo.

Além disso, Lula ampliou sua base no Congresso ao abrir mais espaço na Esplanada dos Ministérios para indicações do centrão, como PP, Republicanos e União Brasil. Mesmo que eles tenham se posicionado a favor da liberação das armas, não devem ajudar no avanço desse tema.


Avatar