Pré-candidato do PL à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro avalia apoiar a candidatura do também senador Sergio Moro, do União Brasil, ao governo do Paraná. A articulação busca consolidar um palanque robusto para Flávio no estado contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma vez que Moro aparece na liderança das intenções de voto em levantamentos recentes. A eventual composição também funciona como reação ao plano do governador Ratinho Junior, do PSD, de disputar o Planalto enfrentando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Aliados de Flávio consideram improvável a convivência no mesmo palanque com Ratinho Junior no Paraná e veem em Moro uma alternativa estratégica para fortalecer a campanha presidencial. O governador paranaense, por sua vez, trabalha com a possibilidade de lançar um nome do próprio partido para a sucessão estadual, mantendo influência direta sobre o processo eleitoral local.

Caso se confirme, a aliança representará mais um capítulo da reaproximação entre Moro e a família Bolsonaro após o rompimento ocorrido em 2020. Naquele ano, o então ministro da Justiça deixou o governo federal alegando necessidade de preservar a própria biografia, em meio ao embate com Jair Bolsonaro sobre a autonomia da Polícia Federal e a permanência de seu diretor-geral.

Procurado para comentar as tratativas, Moro preferiu não se manifestar. Nesta semana, entretanto, afirmou que sua candidatura ao governo do Paraná é irreversível, em meio a disputas internas na federação União Progressista. O presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, chegou a afastar publicamente a hipótese de apoio ao ex-juiz na corrida pelo Palácio Iguaçu.

No campo adversário, o diretório estadual do PT anunciou apoio ao deputado Requião Filho, do PDT, como nome ao governo. A estratégia do partido no Paraná também inclui a candidatura da ministra Gleisi Hoffmann ao Senado, integrando o palanque de Lula no estado.

No PSD, legenda de Ratinho Junior, três nomes são citados como possíveis candidatos. O secretário das Cidades, Guto Silva, aparece como favorito pela proximidade com o governador. Também são mencionados o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, alvo de conversas com outras siglas.

Moro deixou o governo Bolsonaro em abril de 2020 criticando a exoneração de Maurício Valeixo da direção da Polícia Federal. Durante sua passagem pelo ministério, acumulou desgastes com o vazamento de mensagens da Lava Jato, a perda do Coaf e o enfraquecimento do pacote anticrime.

Apesar do histórico conturbado, o cenário mudou em 2022, quando Moro apoiou Bolsonaro contra Lula e participou de debate ao lado do então presidente. Desde então, passou a fazer acenos públicos, citando dúvidas razoáveis e penas excessivas ao comentar condenações impostas a Bolsonaro no caso da trama golpista. O movimento sinaliza pragmatismo eleitoral e tentativa de recompor alianças visando a disputa presidencial futura no cenário nacional.

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado


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