A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) recebeu nesta quinta-feira, 25 de setembro, uma comitiva formada por vinte embaixadores da União Europeia que estão em missão por Minas Gerais e Espírito Santo. Durante o encontro, os diplomatas participaram de um almoço com o presidente da entidade, Flávio Roscoe, o presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello, além de empresários mineiros e líderes setoriais. O objetivo principal foi discutir possibilidades de parcerias estratégicas e debater os impactos do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia, considerado fundamental para impulsionar as relações comerciais entre os dois blocos.

Durante o evento, a gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri, apresentou um panorama das relações comerciais atuais entre Brasil e União Europeia. Ela destacou que, na última década, a China superou os países europeus como principal destino das exportações brasileiras e mineiras, ressaltando a importância de fortalecer os laços com o bloco europeu. Segundo ela, o acordo Mercosul-UE é um instrumento essencial para ampliar a integração e gerar novas oportunidades econômicas para ambos os lados.

O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, ressaltou o potencial de Minas Gerais em mineração sustentável e sua contribuição para a preservação ambiental. Ele apresentou dados que mostram que, para cada hectare de área minerada, as empresas do setor preservam outros oito hectares. Roscoe também destacou a matriz elétrica brasileira, que atualmente é composta por oitenta e sete por cento de fontes renováveis, chamando atenção para a necessidade de avançar no licenciamento de hidrelétricas, consideradas fundamentais por serem uma fonte firme e renovável de energia.

Roscoe afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia é uma oportunidade estratégica para impulsionar a competitividade da indústria mineira. “Esse acordo traz perspectivas muito positivas para a indústria, especialmente neste momento internacional conturbado. As economias dos dois blocos são complementares, e a pauta de exportações brasileiras para a União Europeia tem forte presença de produtos industrializados, com maior valor agregado. Acreditamos que, com o acordo, haverá ampliação dos investimentos em ambos os lados e um ganho competitivo significativo para diversos segmentos da economia”, destacou.

A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, reforçou a relevância do tratado para o fortalecimento das relações bilaterais. “Esse tratado é uma grande ocasião para impulsionar o relacionamento e levá-lo a um novo patamar. Já temos uma base muito sólida — a União Europeia responde por cerca de quarenta por cento dos investimentos estrangeiros no Brasil e trinta e dois por cento em Minas Gerais. O acordo criará a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de setecentos e cinquenta milhões de consumidores, e será um sinal importante de que o multilateralismo funciona. Ele vai reunir povos, gerar empregos qualificados, ampliar investimentos e fortalecer valores comuns como a sustentabilidade e a inovação”, afirmou Schuegraf.

Além da embaixadora, participaram representantes de países como Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Bélgica, Suécia, Irlanda, Grécia, Polônia e República Tcheca. A visita faz parte de uma série de agendas destinadas a ampliar a cooperação entre os países europeus e as regiões brasileiras, com foco em Minas Gerais e Espírito Santo.

Foto: Isis Grazielle


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