Com a presença de três ministros do governo Lula, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, oficializou sua filiação ao PSD na noite de ontem. Com essa mudança partidária, todos os estados do Nordeste passam a ser governados por legendas aliadas ao Palácio do Planalto. A ex-tucana mira sua reeleição em 2026, quando deve enfrentar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), próximo de Lula, a quem alfinetou durante a cerimônia.
“Não estamos aqui esquentando cadeira para quem quer voltar ao poder”, afirmou Lyra, em referência aos 16 anos de governo do PSB no estado. “Estamos construindo um projeto”, completou.
A filiação da governadora a um partido da base do governo federal pode gerar um dilema para o Palácio do Planalto caso Lula decida apoiar Campos no pleito do ano que vem. Durante o evento, Lyra agradeceu ao PSDB, partido pelo qual disputou três eleições, e ressaltou a insistência de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, nas negociações desde outubro passado. Kassab acompanhou a governadora em seu discurso de filiação.
“Já me sinto em casa e venho para contribuir na construção de um novo Nordeste e um novo Brasil”, declarou a governadora em um evento festivo, com locutor, jingle e discursos focados em sua reeleição.
O evento, realizado no Recife, contou com a presença dos três ministros de Lula filiados ao PSD: Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura) e André de Paula (Aquicultura e Pesca). As senadoras Eliziane Gama (MA) e Zenaide Maia (PB) também prestigiaram a cerimônia.
Em seu discurso, Kassab classificou Lyra como uma das mulheres mais influentes da política nacional e expressou confiança em sua reeleição. O dirigente chegou a projetar a governadora como uma possível candidata à Presidência da República em 2030.
“Não tenho dúvidas de que, com a reeleição de Raquel, o Brasil começará a sonhar com ela na Presidência”, disse Kassab, que anunciou Lyra como nova presidente estadual do PSD, substituindo André de Paula.
Primeiro a discursar, André de Paula afirmou estar emocionado com a filiação da governadora, destacando sua liderança política:
“Hoje, passo a presidência estadual para Raquel Lyra, que nos liderará. Raquel, você sabe que sempre quis estar ao seu lado. Esta casa agora é sua, e vamos vencer a próxima eleição”.
Já Alexandre Silveira, representando os ministros do PSD, garantiu apoio a Lyra nas demandas de Pernambuco junto ao governo federal:
“Nós, três ministros, vamos trabalhar para defender os interesses de Pernambuco com Raquel. Estaremos de mãos dadas para garantir os recursos e fortalecer o estado. Nossos gabinetes estarão sempre à disposição”.
Nos últimos meses, Lyra tem intensificado suas articulações em Brasília, especialmente com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). Em Pernambuco, o PT se divide entre apoiar a governadora e manter aliança com João Campos, que tem o apoio do diretório municipal.
A mudança de partido de Lyra evidencia a fragilidade do PSDB. No PSD, ela terá mais acesso a recursos partidários, considerados estratégicos para sua campanha em 2026. O tempo de propaganda eleitoral na TV também será ampliado, já que a legenda possui 42 deputados federais e, consequentemente, maior espaço no horário eleitoral gratuito.
Apesar da proximidade com o governo federal, Kassab negou que a filiação tenha sido motivada por essa relação.
“Ela não veio para o PSD por estar próxima ou distante de Lula. Ela veio porque o PSD é um partido forte e em crescimento. Um governador precisa de uma sigla estruturada, e o Brasil está caminhando para ter poucos e grandes partidos”, declarou Kassab, que integra a gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Foto: Divulgação PSD

