Em menos de dois meses, a doença infecciosa causada pelo vírus Monkeypox se espalhou por mais de 50 países, provocando cerca de sete mil infecções, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC/EUA).
No Brasil, em quase um mês após a identificação do primeiro caso, em 8 de junho, o total de pessoas infectadas chegou a, pelo menos, 223, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde desta segunda-feira (11).
Da mesma família dos vírus responsáveis pelas varíolas humana e bovina, o Monkeypox foi descoberto em 1958, quando pesquisadores investigavam um surto infeccioso em primatas oriundos da África que estavam sendo estudados na Dinamarca.
o entanto, pouco tempo depois, os cientistas verificaram que os macacos não eram reservatórios do vírus e que também eram afetados pelo patógeno, assim como outros mamíferos. Ainda hoje não se sabe com exatidão as espécies que agem como reservatório do Monkeypox, nem como sua circulação é mantida na natureza.
Dessa forma, para evitar que haja estigma e preconceito contra os indivíduos infectados e maus tratos contra os animais, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) pedem que a denominação da doença no Brasil seja feita exclusivamente pelo nome “Monkeypox”, do vírus, uma vez que o surto atual não tem relação com primatas. Por aqui, o Ministério da Saúde, em consonância com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), tem adotado somente o termo em questão.
“O nome Monkeypox também é utilizado na Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Todo esse movimento tem o intuito de se evitar desvio dos focos de vigilância e má ações contra os animais”, explicou a vice-diretora de Serviços de Referência, Coleções Biológicas e Ambulatórios do IOC, da Fiocruz, Maria de Lourdes Oliveira.
A Fiocruz lembra que o mesmo aconteceu com a Covid-19 e a Influenza A H1N1. Para evitar preconceitos e estigmas, a OMS reclassificou os nomes dessas doenças. Na infecção causada pelo coronavírus, a ideia foi não atrelar a doença ao país de origem dos casos. No segundo exemplo, o consenso foi para dissociar o nome da gripe ao dos porcos, que não estavam diretamente relacionados ao contágio naquele momento.

