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Se sentir coagido a pagar por um estacionamento que é público: a rua. Essa é a realidade cada vez mais presente na vida dos motoristas de Belo Horizonte por causa da ação dos “flanelinhas” – pessoas que “tomam conta” dos carros nas vias públicas. A prática cresce com a retomada dos eventos na cidade por causa da flexibilização em relação à pandemia de Covid-19.

O crescimento dos atos de extorsão é confirmado pelo supervisor do Departamento de Ordem Pública da Guarda Municipal de Belo Horizonte, Flávio da Costa Cunha. Somente neste ano, a Guarda Municipal abordou, por mês, quase cem suspeitos de atuarem como flanelinhas na capital mineira. De janeiro a junho, foram 557 abordados em 2022, um aumento de 63,3% se comparado com o mesmo período do ano passado – quando foram registradas 341 abordagens.

As áreas onde mais ocorrem as abordagens, segundo a Guarda Municipal, são: o entorno dos estádios do Mineirão, na Pampulha, e Independência, no Horto, na região Leste de Belo Horizonte. O maior volume de ocorrências acontece em dias de jogos de futebol e eventos. Casas de shows e bares, como na região da Savassi, por exemplo, também atraem flanelinhas. Nestes pontos, eles costumam cobrar valores que podem variar de R$ 10 até R$ 50.

Geralmente, os “guardadores de carro” estabelecem a cobrança na hora em que o motorista estaciona o carro. A prática é proibida conforme o artigo 118 da Lei 8.616 do Código de Posturas da cidade de Belo Horizonte, e, como os suspeitos costumam agir com agressividade e extorquem a vítima para obter vantagem financeira mediante o constrangimento do motorista, a atuação também é crime.

O aumento significativo do número de flanelinhas é nítido para o presidente da Associação dos Moradores dos Bairros São Luís e São José (Pro-Civitas), Leonardo Drummond. Os bairros ficam próximos ao estádio do Mineirão, onde o problema é frequente em dias de jogo. “Cinco ou seis horas antes do jogo, eles chegam e já começam as extorsões, além de praticarem furtos, arrombando os carros. Eles fazem as cobranças, tomam o dinheiro das pessoas e saem. Além disso, trazem muitos transtornos para os residentes”, relata.

“Em um dos jogos, uma moradora precisou sair com o carro para levar o pai ao hospital, mas tinha um veículo estacionado na garagem dela e ela não conseguiu sair. Teve um dia que uma ambulância não conseguiu passar para socorrer outro morador”, acrescenta.

Ainda de acordo com Drummond, nas ruas onde a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) coloca cones para evitar os estacionamentos e o tráfego fluir, os flanelinhas tiram e ampliam as vagas. “Falta fiscalização. Falta o poder público envolver os moradores, as associações de bairros e os órgãos de segurança para pensarem em uma ação conjunta para acabar com esses crimes de extorsão”, reclama.

O supervisor do Departamento de Ordem Pública da Guarda Municipal de Belo Horizonte, Flávio da Costa Cunha, confirmou que neste ano houve mesmo um aumento da atuação dos flanelinhas por causa da volta dos eventos e jogos de futebol. “As nossas equipes estão sempre atuando para coibir os crimes e contamos com a ajuda da população para fazer denúncia para que possamos mapear os locais onde os flanelinhas estão atuando e também adotamos ações rotineiras para combater esse crime”, disse.

Número insuficiente de agentes

Atualmente, a Guarda Municipal tem 2.039 agentes. Em dias de jogos de futebol, é comum encontrar até 80 flanelinhas atuando no entorno do Mineirão. “Não tem como a gente abordar todos eles, mas os agentes chegam quatro horas antes da partida e já começam as abordagens. É importante ressaltar que não existe nenhum tipo de flanelinha legalizado, cobrar para as pessoas estacionarem na rua não é permitido”, destacou.


Paola Tito

editor

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