Gabriel Galípolo, diretor de política monetária do Banco Central, enfatizou que todas as opções estarão em discussão na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo Galípolo, a possibilidade de elevação da taxa Selic foi aberta devido à piora nas projeções de inflação e ao aumento das expectativas do mercado quanto a juros mais altos. Ele mencionou que o recente aumento na taxa de câmbio e as surpresas nos dados de atividade econômica reforçaram essa mudança de perspectiva.

Galípolo destacou que a volatilidade dos mercados, influenciada por mudanças no cenário externo, especialmente nos Estados Unidos, também contribuiu para a reconsideração da política monetária. O adiamento do ciclo de cortes de juros nos EUA e as oscilações entre cenários de desaceleração econômica global trouxeram incertezas adicionais.

No cenário doméstico, Galípolo buscou afastar o ceticismo do mercado em relação à disposição do Banco Central em subir os juros, caso necessário. Ele ressaltou que tanto os diretores do BC quanto os novos indicados pelo governo estão comprometidos com a institucionalidade da instituição e prontos para agir conforme a necessidade.

Durante palestra em Belo Horizonte, Galípolo também abordou a importância de manter a independência do Banco Central, reforçando que a atuação do órgão deve seguir o arcabouço institucional estabelecido. Ele mencionou que, mesmo com a autonomia do BC, a meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional, e cabe ao Banco Central perseguir essa meta de forma independente.

Embora tenha deixado claro que a possibilidade de aperto monetário está em pauta, Galípolo afirmou que ainda faltam quatro semanas para a próxima decisão do Copom e que muitos dados serão analisados até lá, mantendo todas as opções em aberto.


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