O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição enfrenta carência de pessoal ao decidir ceder um servidor para auxiliar os trabalhos da CPI do Crime Organizado no Congresso Nacional. Mesmo diante das limitações internas, o dirigente ressaltou que a medida busca reforçar a cooperação institucional e “maximizar a eficiência dos trabalhos”, permitindo que o técnico atue simultaneamente no colegiado parlamentar e na autoridade monetária.

Durante o recesso parlamentar, Galípolo comunicou que o Banco Central disponibilizou o chefe adjunto do Departamento de Supervisão de Conduta, Valdemir Fortes de Sousa, para colaborar com a comissão. A solicitação partiu dos senadores integrantes da CPI, que pediram apoio técnico especializado para identificar possíveis indícios de crimes financeiros relacionados aos investigados.

Em documento encaminhado ao presidente da comissão, o senador Fabiano Contarato, a Assessoria Parlamentar do Banco Central destacou que a cessão do servidor foi uma decisão direta de Galípolo, adotada mesmo diante da “carência de recursos humanos” enfrentada pela instituição. O texto reforça que a iniciativa foi tomada com base no compromisso do órgão com o interesse público.

“Apesar das dificuldades relativas à carência de recursos humanos necessários para a execução das atividades afetas a esta autarquia”, afirmou o Banco Central no documento, ao enfatizar o “espírito de colaboração” mantido com o Congresso Nacional e com os órgãos de investigação.

O próprio Banco Central já havia reconhecido o problema em seu “Relatório Integrado do Banco Central 2024”, documento mais recente disponível no site oficial da instituição. Nele, o órgão avalia que a entrada de novos servidores prevista para dois mil e vinte e cinco, após mais de uma década sem concursos públicos, não será suficiente para suprir o déficit de pessoal acumulado ao longo dos anos.

Segundo o relatório, o número de vagas autorizadas está aquém das necessidades reais da instituição, o que mantém o desafio estrutural de recursos humanos mesmo com a retomada parcial de contratações.

Foto Lula Marques/Agência Brasil


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