Um dia antes de o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) retomar o julgamento que pode levar à cassação do seu mandato, o senador Sérgio Moro (União Brasil) se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Decano do STF, Mendes é um dos principais críticos públicos do ex-juiz da Lava-Jato.

O encontro ocorreu no gabinete de Gilmar no STF e aconteceu a pedido de Moro. Também segundo interlocutores da Corte, a audiência serviu para tratar de “temas variados”, e não apenas sobre o julgamento na Justiça Eleitoral. Ainda de acordo com relatos, a conversa teve tom “ameno”.

Nesta quarta-feira (3), o julgamento de Moro no TRE-PR foi interrompido novamente por um pedido de vista. O placar está empatado em 1 a 1.

Em fevereiro deste ano, em entrevista ao portal Brazil Journal, Gilmar afirmou que o ex-juiz da Lava-Jato “descumpria decisões do STF” durante a Operação. Segundo o ministro, Moro “usava a mídia para emparedar a Corte”.

“Ficamos reféns um pouco disso. O próprio ministro Teori Zavascki [que foi relator da Lava Jato no STF], em alguns momentos, foi emparedado pelo Sergio Moro. Na Turma do STF por onde tramitava o caso, se o ministro Teori não aderia, ficávamos vencidos eu e o Toffoli, por exemplo” disse na ocasião.

Já em entrevista ao Roda Viva em 2023, Gilmar também falou do ex-juiz federal e afirmou que em “Curitiba tem o germe do fascismo”.

“Curitiba gerou Bolsonaro. Curitiba tem o germe do fascismo. Inclusive todas as práticas que desenvolvem. Investigações à sorrelfa e atípicas. Não precisa dizer mais nada”, disse o decano.

Moro também não poupa críticas ao ministro do Supremo. Em resposta ao que Gilmar disse no Roda Viva, o ex-juiz afirmou não ter “a mesma obsessão” que o ministro teria por ele.

“Não tenho a mesma obsessão por Gilmar Mendes que ele tem por mim. Combati a corrupção e prendi criminosos que saquearam a democracia. Não são muitos que podem dizer o mesmo neste país”, escreveu o senador.

Em 2022, após declarações de Gilmar, Moro insinuou que o ministro do STF não critica corruptos.

“Talvez a única forma de escapar dos descabidos ataques e das ofensas do ministro Gilmar Mendes seja praticar um crime de corrupção. Mas não farei isso, meu compromisso sempre foi com a Justiça e com o Brasil”, disse.

No caso que está sendo julgado pelo TRE-PR, Moro é acusado pelo PT e pelo PL de driblar a legislação eleitoral durante a campanha de 2022. Os partidos alegam que Moro teria gasto R$ 6,7 milhões para chegar ao Congresso, quando o limite permitido por lei é de R$ 4,4 milhões. A suposta vantagem teria sido obtida por meio de dois movimentos: a desistência de concorrer à Presidência e a mudança partidária do Podemos para o União Brasil.


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