Em discurso no Plenário, o senador Eduardo Girão afirmou que a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo Supremo Tribunal Federal no sábado (22) e confirmada por unanimidade nesta segunda-feira (24) pela Primeira Turma, é arbitrária e pode servir como “cortina de fumaça” para ocultar escândalos graves em investigação. Segundo o parlamentar do Novo, a medida concentra a atenção da opinião pública e da mídia justamente no momento em que casos de grande impacto começam a ganhar visibilidade, como o esquema de desvios em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social e as irregularidades envolvendo o Banco Master.
“Será que, em tudo isso, tem uma cortina de fumaça para que a mídia coloque, num momento crucial, todos os holofotes na prisão do presidente? E aí a gente vê o holofote da grande mídia brasileira, da mídia tradicional, focando nisso vinte e quatro horas, enquanto explodem escândalos de gravidade que podem deixar ‘petrolão’ e ‘mensalão’ como coisa de ‘roubinhos’”, declarou o senador.
Girão informou que protocolou um requerimento solicitando a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito exclusiva para investigar o caso do Banco Master, instituição alvo de operação da Polícia Federal e liquidada pelo Banco Central. O senador destacou que as apurações já identificaram movimentações financeiras irregulares e possíveis prejuízos a fundos de pensão, além de vínculos com bancos públicos e suspeita de desvios que podem alcançar até cinquenta bilhões de reais.
“Eu confesso que é gravíssimo. É por isso que estou pedindo essa CPI e solicito a assinatura dos senadores desta Casa, independentemente de partido. Quem quiser buscar a verdade tem o dever de assinar essa CPI, e eu vou, aqui, ficar lembrando todos os dias, para que a gente possa ter o número necessário e para que o presidente da Casa possa ler e a gente possa instalar”, afirmou Girão, ao defender a investigação.
O senador concluiu dizendo que a operação autorizada pela Justiça Federal mira crimes de organização criminosa e não pode ser tratada como simples divergência política. “Aí, sim, não é vigília, não é oração, é organização criminosa”, disse.
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

