A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, voltou a criticar neste domingo a política de juros no país e classificou como “criminosa” a taxa cobrada no rotativo do cartão de crédito. Em publicação nas redes sociais, a ministra afirmou que o atual cenário financeiro impõe forte pressão sobre as famílias brasileiras e compromete a economia popular.
Segundo Gleisi, a taxa básica de juros, a Selic, segue em nível elevado e foi considerada por ela como “vergonhosa”. A ministra comparou o custo do crédito no país e destacou que o rotativo do cartão chega a equivaler a uma taxa mensal semelhante à Selic anual, o que, em sua avaliação, torna o sistema insustentável para a população.
Ela também citou outras modalidades de crédito, como o parcelamento no cartão, com juros de 9,43% ao mês, e o cheque especial, com taxa de 7,52% mensais. Para a ministra, esses níveis inviabilizam o equilíbrio financeiro das famílias e contribuem para o aumento do endividamento.
Gleisi afirmou ainda que os esforços do governo federal para ampliar o emprego e a renda acabam sendo prejudicados pelos ganhos do sistema financeiro. Segundo ela, os juros elevados drenam recursos da economia real e dificultam a recuperação econômica.
A ministra defendeu a necessidade de uma mobilização para enfrentar o problema e reduzir o custo do crédito no país. Nos últimos dias, ela tem se posicionado de forma crítica em relação às decisões do Banco Central.
Na quarta-feira, 18, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano, em um corte considerado abaixo das expectativas do mercado. Gleisi classificou a decisão como decepcionante e afirmou que o país já pagou um preço elevado por uma política de juros restritiva.
Para a ministra, o cenário internacional não deve justificar a manutenção de juros elevados por tanto tempo.
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

