A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu com dureza às declarações do governador do Paraná, Ratinho Jr., sobre a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e afirmou que setores da oposição brasileira tentam se aproveitar politicamente da crise internacional. Segundo a ministra, o entusiasmo demonstrado por líderes de direita diante da ação norte-americana não tem relação com a defesa da democracia, mas revela interesses incompatíveis com a soberania nacional.
A reação ocorreu após o governo do presidente Donald Trump realizar ataques em território venezuelano, capturar o líder chavista Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e anunciar que os Estados Unidos passarão a administrar o país até uma “transição apropriada”. Trump também declarou que Washington pretende controlar as reservas de petróleo venezuelanas, sem apresentar prazos ou detalhes sobre o processo.
A ação militar foi celebrada por governadores alinhados à direita no Brasil, como Ronaldo Caiado, Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr. Em publicação nas redes sociais, o governador paranaense classificou a iniciativa de Trump como “brilhante”, elogiando o que chamou de libertação do povo venezuelano. O posicionamento chamou atenção porque, durante o tarifaço imposto pelos Estados Unidos no ano anterior, Ratinho havia evitado alinhamento direto com Trump.
“Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela, um povo que estava sendo oprimido há décadas por tiranos antidemocráticos. Viva a liberdade! Viva a democracia! Viva a Venezuela!”, escreveu Ratinho Jr., em mensagem que repercutiu amplamente.
Do lado do governo federal, a reação foi oposta. Integrantes da administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aliados políticos condenaram a ofensiva, defenderam o respeito à soberania dos países e alertaram para violações do direito internacional. Gleisi rebateu diretamente o governador do Paraná, afirmando que a “euforia” dele e de “outros bolsonaristas” com a ação militar “não tem nada a ver com defesa da democracia”.
“Ao contrário, reflete o desejo de uma intervenção estrangeira no Brasil, contra a nossa democracia. Era o projeto do traidor Eduardo Bolsonaro, com o tarifaço e as sanções da Magnitsky, que fracassou e foi repudiado pela sociedade brasileira. É simplesmente vergonhoso que a oposição de extrema-direita tente se aproveitar dessa maneira da crise venezuelana, que ameaça a estabilidade de todo o continente”, escreveu a ministra, também nas redes sociais.
O tom crítico foi reforçado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que classificou a ofensiva norte-americana como um grave retrocesso histórico. Para ele, o episódio representa a ação imperialista mais severa já vivenciada na região e exige uma resposta coordenada da América Latina.
“Alguém acha que Trump está preocupado com democracia? Ele quer petróleo. E mais: usa a Venezuela como precedente para uma nova Doutrina Monroe que ameaça toda a América Latina. Nem na Guerra Fria houve uma ação militar direta dos EUA em nosso continente, ainda mais com o sequestro de um chefe de Estado. É momento de unidade latino-americana em apoio total ao povo da Venezuela e em rechaço ao governo criminoso de Donald Trump!”, afirmou Boulos.
Foto: Gil Ferreira/SRI-PR

