A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, rebateu as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que defendeu Jair Bolsonaro e criticou o Judiciário brasileiro. Segundo Gleisi, Trump está “equivocado” e deveria se concentrar nos problemas internos dos Estados Unidos, sem tentar interferir no Brasil.
“Donald Trump está muito equivocado se pensa que pode interferir no processo judicial brasileiro. O tempo em que o Brasil foi submisso aos Estados Unidos ficou no passado, foi o tempo de Bolsonaro, que batia continência para a bandeira americana e não defendia os interesses nacionais. Hoje ele responde pelos crimes que cometeu contra a democracia e o processo eleitoral no Brasil. Não se pode falar em perseguição quando um país soberano cumpre o devido processo legal dentro do estado democrático de direito, que Bolsonaro e seus golpistas tentaram destruir. O presidente dos Estados Unidos deveria cuidar de seus próprios problemas, que não são poucos, e respeitar a soberania do Brasil e do nosso Judiciário”, escreveu Gleisi nas redes sociais.
Bolsonaro foi declarado inelegível em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao atacar as urnas eletrônicas sem apresentar provas. Ele também responde no Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na trama golpista e é acusado de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Trump publicou nesta segunda-feira (7) que o Brasil está “fazendo uma coisa terrível” com Bolsonaro e que acompanha de perto o que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente, sua família e seus apoiadores. “Ele não tem culpa de nada, exceto de ter lutado pelo povo. Conheci Jair Bolsonaro, ele era um líder forte, que realmente amava seu país e era um negociador duro nas questões comerciais. Sua eleição foi muito apertada e agora ele lidera nas pesquisas. Isso é um ataque a um oponente político, algo que conheço muito bem! Já aconteceu comigo diversas vezes”, escreveu Trump. O americano ainda declarou que “o único julgamento que deveria estar acontecendo é o julgamento pelos eleitores do Brasil, que se chama eleição”. E finalizou: “Deixem Bolsonaro em paz.”
A defesa pública de Bolsonaro por Trump foi publicada logo após o presidente americano ameaçar países que se alinhem ao Brics. Trump declarou que qualquer país que se aliar às “políticas antiamericanas dos Brics” será taxado com uma tarifa adicional de 10%, sem exceções.
A cúpula do Brics, que se reuniu neste final de semana no Rio de Janeiro, divulgou uma declaração criticando “medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional” e apontando suas “implicações negativas”, sem citar diretamente os Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também respondeu às declarações de Trump. “O Brasil não aceita interferência. Ele deveria dar palpite na vida dele”, disse Lula.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), classificou a fala de Trump como “um escárnio” e reagiu com indignação: “Trump acha que o Brasil é uma republiqueta de bananas? A extrema direita pode tentar dar golpe e planejar assassinato de opositores e isso vai ficar impune? Aqui não! Aqui tem lei, tem Justiça. Esse tipo de ameaça não vai nos intimidar. Vamos defender nossa democracia e nossa soberania”, escreveu o deputado.
O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, também se manifestou, afirmando que “a democracia não se negocia” e que qualquer tentativa de interferência será “firmemente rechaçada” pelo governo brasileiro.
Jair Bolsonaro, por sua vez, agradeceu a Trump em suas redes sociais e elogiou o presidente americano, classificando-o como exemplo de “fé e resiliência”.
Foto: Valdenio Vieira / SEAUD-PR

