A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, declarou nesta sexta-feira que a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro foi um “grande presente” para a legenda. O pronunciamento ocorreu durante o evento de celebração dos 45 anos do partido, no Rio de Janeiro.

A denúncia, oferecida ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, nesta terça-feira (20), envolve Bolsonaro e mais 33 pessoas, acusadas de envolvimento em uma suposta trama golpista. A decisão sobre a aceitação da denúncia será tomada pela Primeira Turma do STF, após parecer do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Durante seu discurso, Gleisi afirmou que o processo contra Bolsonaro remonta a 2021, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi inocentado. “A partir desse momento, começam os ataques à democracia. Bolsonaro sabia que seria difícil derrotar Lula. Foi um processo longo”, declarou.

Gleisi também enfatizou a necessidade de um processo legal justo, mas destacou que os acusados devem responder por seus atos. “Não estamos aqui apenas para comemorar, mas para reafirmar que quem atentou contra a democracia precisa pagar por isso”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Gleisi reconheceu os desafios enfrentados pelo governo Lula, especialmente em relação às recentes pesquisas de opinião. Os dados do Instituto Datafolha indicam que a aprovação do presidente caiu 11 pontos em dois meses, registrando o pior índice em seus três mandatos. “Sim, a pesquisa é ruim. Não vamos tapar o sol com a peneira. Isso se deve a uma série de fatores, como a crise do Pix, a inflação dos alimentos e o afastamento de Lula para tratar de sua saúde”, ponderou a dirigente. No entanto, concluiu com otimismo: “Mas eleições não se ganham de véspera”.

A presidente do PT foi ovacionada pelos militantes presentes, que entoaram gritos de apoio: “O meu partido, eu boto fé, porque ele é presidido por mulher”.

O evento também contou com a participação do presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, da senadora Teresa Leitão (PE), do líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), e das deputadas Dandara (MG) e Maria do Rosário (RS).

Guimarães também fez críticas contundentes a Bolsonaro, defendendo sua prisão. “Bolsonaro vai ter que pagar por todos os crimes cometidos contra a democracia. Não haverá anistia”, afirmou.

Maria do Rosário, por sua vez, ressaltou o papel das mulheres na política e na reeleição de Lula. “A vitória de Lula estará nas mãos das mulheres. São elas que irão garantir a continuidade do nosso projeto”, discursou.

O evento ocorreu em um momento de divisão interna dentro do PT. A disputa gira em torno da sucessão na presidência do partido, com o ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, surgindo como o candidato favorito. A expectativa é que Lula anuncie seu apoio a Edinho e indique Gleisi Hoffmann para assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República.

A corrente majoritária do partido, Construindo um Novo Brasil (CNB), é favorável a Edinho. No entanto, aliados de Gleisi e do atual secretário de Comunicação do PT, o deputado Jilmar Tatto (RS), apoiam nomes alternativos, como o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto.

Setores da legenda demonstram receio em relação à postura moderada de Edinho Silva, temendo que ele flexibilize a polarização política e descaracterize o partido. Os defensores de sua candidatura argumentam que o diálogo será fundamental para construir alianças para a eleição de 2026.

Correntes como Mensagem ao Partido e Movimento PT indicam simpatia por Edinho. O deputado federal Reginaldo Lopes (MG), integrante da Mensagem, organizou um jantar de apoio ao ex-prefeito. Por outro lado, setores mais radicais, como Articulação de Esquerda e Democracia Socialista (DS), mantêm distância de sua candidatura. O ex-presidente do PT, Rui Falcão (SP), da corrente Novos Rumos, é citado como alternativa, mas tem resistido às articulações.

O encontro dos 45 anos do PT reforçou tanto a unidade em torno do combate a Bolsonaro quanto as tensões internas sobre o futuro da sigla. Com a aproximação das eleições de 2026, a disputa pelo comando do partido ganha ainda mais relevância.

Foto: Gabriel Paiva

 


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