A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou nesta quinta-feira que a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal abre espaço para discutir a indicação de uma mulher à Corte. Segundo a parlamentar, o episódio cria uma oportunidade política para ampliar o debate sobre representatividade no tribunal.

“Abre uma oportunidade para a gente fazer esse debate, essa discussão”, declarou Gleisi, ao comentar o resultado da votação no Senado. Atualmente, o Supremo conta com apenas uma mulher entre seus integrantes, a ministra Cármen Lúcia. Até dois mil e vinte e três, a Corte também tinha a presença de Rosa Weber, sucedida por Flávio Dino.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares da oposição afirmam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria sinalizado a intenção de não pautar novas indicações ao Supremo antes das eleições. A estratégia, segundo esses relatos, seria preservar a prerrogativa de escolha para um eventual novo governo.

Por outro lado, integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendem intensificar a pressão política para que a vaga seja preenchida ainda neste período. Nesse contexto, a possibilidade de indicação de uma mulher é vista como um elemento capaz de mobilizar apoio e ampliar o debate público.

Gleisi também criticou o comportamento de aliados durante a votação que resultou na rejeição de Messias. Segundo ela, houve quebra de compromissos por parte de parlamentares da base governista.

“Foi traição que nós tivemos. Não tem articulação que dê conta. De quem disse que ia votar a favor e votou contra”, afirmou, destacando a dificuldade de identificar os responsáveis devido ao caráter secreto da votação.

A declaração ocorre em meio a um momento de tensão entre o governo e o Congresso Nacional. Além da rejeição ao nome indicado para o Supremo, o Legislativo também derrubou vetos presidenciais recentes, ampliando o desgaste político.

A indicação de Messias foi barrada após obter trinta e quatro votos favoráveis, número inferior ao mínimo necessário para aprovação. Ao todo, foram quarenta e dois votos contrários, configurando uma derrota histórica para o governo, já que o Senado não rejeitava um indicado ao Supremo há mais de um século.

O episódio reforça o ambiente de disputa política em torno da composição da Corte e abre novas discussões sobre critérios de escolha e representatividade no Judiciário brasileiro.

Foto: Gil Ferreira/SR-PR


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