O procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve utilizar apenas uma parte do tempo concedido para a sustentação oral no julgamento do núcleo central da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para o próximo dia 2. A expectativa é que sua intervenção dure cerca de meia hora, equivalente a um quarto do período previsto, com foco no pedido de condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus envolvidos na ação penal.

Segundo interlocutores próximos, Gonet será sucinto e dividirá sua manifestação em três pontos centrais. O primeiro será relembrar o histórico do processo, ressaltando como as investigações se desenvolveram até chegar ao STF. Em seguida, destacará as inconsistências encontradas nos depoimentos dos réus, reforçando a falta de credibilidade em algumas versões apresentadas. Por fim, pretende enfatizar que as provas reunidas são consistentes e independem da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Durante interrogatório prestado em junho, Bolsonaro admitiu ter cogitado decretar estado de sítio após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitar o pedido de seu partido para anular votos do segundo turno de 2022. O ex-presidente também reconheceu que apresentou uma minuta de conteúdo golpista ao então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, embora negue ter buscado consumar um golpe de Estado.

A delação de Mauro Cid, frequentemente citada por bolsonaristas como alvo de questionamentos, foi apontada pelo próprio Gonet como incompleta. No mês passado, o procurador-geral sustentou que o colaborador deveria receber apenas a redução mínima de um terço na pena por omitir fatos graves e causar prejuízos ao interesse público. Ainda assim, a PGR mantém a solicitação de condenação de todos os oito acusados do núcleo central da trama.

Foto: Bruno Moura/STF

 


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