O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), provocou tensão com o PT ao declarar apoio à anistia para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Eleito com o apoio do partido e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições de 2022, Riedel agora enfrenta duras críticas de petistas locais, que veem sua postura como uma traição aos compromissos democráticos assumidos durante a campanha.
No último domingo, embora tenha se ausentado do ato promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em São Paulo, Riedel publicou nas redes sociais uma foto ao lado da senadora Tereza Cristina (PP), acompanhada de uma mensagem em defesa da anistia. Para ele, a medida tem “caráter humanitário” e é necessária para promover a pacificação do país.
“Do ponto de vista político, acredito que o Congresso Nacional tem a obrigação de votar a matéria, considerando-a um passo essencial para a pacificação do país”, escreveu o governador. Riedel também criticou o que classificou como excessos do Judiciário, comparando-os aos crimes cometidos durante a depredação dos prédios dos Três Poderes. “Não dá pra errar de novo e no mesmo lugar: tentar reparar eventuais excessos cometidos naquele momento com excessos do atual momento”, afirmou.
A repercussão entre petistas foi imediata. Em nota oficial, a Executiva estadual do PT manifestou repúdio à declaração do governador, lembrando que ele se apresentou como um “democrata” na eleição e recebeu apoio da sigla por representar um contraponto ao extremismo bolsonarista. “A direção do PT cobra coerência do governador”, diz o texto.
Deputados estaduais da legenda elevaram ainda mais o tom. Gleice Jane pediu publicamente que o partido se retire da base governista, enquanto Zeca do PT classificou como “vergonha” o fato de Riedel se tornar, segundo ele, “porta-voz do retrocesso e da infâmia”.
O PT atualmente ocupa cargos no governo estadual, tendo indicado oito nomes para subsecretarias após a aliança eleitoral. Apesar do desconforto, ainda não há definição sobre uma ruptura imediata. Internamente, a legenda discute sua posição para as eleições de 2026, nas quais Riedel deve disputar a reeleição.
Antes da polêmica, dirigentes petistas já articulavam para que o governador apoiasse um nome do partido ao Senado. Em Campo Grande, a principal liderança da sigla, a deputada federal Camila Jara, obteve apenas 9,4% dos votos nas últimas eleições, ficando em quarto lugar, o que reforça a necessidade de renovação nas bases eleitorais do partido.
Foto: Saul Schramm/Governo do Mato Grosso do Sul

