O governo federal anunciou os setores econômicos que terão prioridade no acesso ao crédito de R$ 15 bilhões destinado a reduzir os impactos de fatores externos, como conflitos internacionais e barreiras comerciais. A medida foi detalhada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, em coletiva no Palácio do Planalto, e integra a nova fase do Programa Brasil Soberano.

A iniciativa será operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável por oferecer as linhas de financiamento às empresas. O objetivo é fortalecer setores afetados por restrições comerciais e apoiar áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico do país.

Entre os principais beneficiários estão empresas exportadoras da indústria que sofreram impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Essas companhias precisam comprovar que pelo menos 5% de seu faturamento bruto, entre agosto de 2024 e julho de 2025, teve origem em exportações. Os setores mais atingidos incluem aço, cobre, alumínio, peças automotivas e móveis, que enfrentam tarifas adicionais que chegam a 50% ou 25%.

Outro grupo contemplado reúne segmentos estratégicos com alto potencial tecnológico e relevância para a modernização produtiva. Estão incluídas áreas como indústria farmacêutica, tecnologia da informação, setor químico, automotivo, têxtil, além da produção de máquinas, equipamentos eletrônicos, borracha e minerais críticos. Esses setores foram selecionados também por apresentarem déficits na balança comercial.

O terceiro grupo beneficiado envolve empresas exportadoras e fornecedores que atuam no mercado do Golfo Pérsico. Fazem parte dessa lista companhias que mantêm relações comerciais com países como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, desde que atendam ao critério mínimo de participação das exportações no faturamento ao longo de 2025.

As linhas de crédito poderão ser utilizadas para diferentes finalidades, incluindo capital de giro, produção voltada à exportação, aquisição de bens de capital e investimentos em ampliação da capacidade produtiva. Também estão previstas aplicações em inovação tecnológica e adaptação de processos e produtos.

As condições de financiamento variam conforme o tipo de operação. Nas contratações diretas com o BNDES, as taxas vão de 0,94% ao mês para investimentos até 1,28% ao mês para capital de giro. Já nas operações indiretas, realizadas por meio de instituições financeiras, os juros variam entre 1,06% e 1,41% ao mês.

Os prazos de carência podem chegar a 4 anos para investimentos, enquanto o período total de pagamento varia entre 5 e 20 anos. A regulamentação das linhas foi possível após aprovação do Conselho Monetário Nacional, que definiu as condições gerais para concessão dos recursos.

Com a medida, o governo busca mitigar efeitos de instabilidades externas e incentivar a competitividade da indústria brasileira, reforçando cadeias produtivas e ampliando a capacidade de exportação em setores considerados estratégicos.

Foto: José Paulo Lacerda/CNI


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