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O preço da carne no Brasil deve registrar uma alta ao longo dos próximos meses, como consequência da pressão econômica mundial causada pela guerra na Ucrânia.

A projeção é de especialistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério da Economia, e da consultoria do setor agropecuário Safra & Mercado.

A proteína é impactada pela instabilidade nos preços das commodities agrícolas, que sobem desde o início do confronto no Leste Europeu, iniciado há quase duas semanas.

Principais insumos utilizados na ração animal, o milho e o trigo tiveram uma alta 5% e 3% nos preços, respectivamente, no mercado interno.

Já a soja, apesar do custo se manter estável no período da guerra, a commodity segue muito valorizada desde o fim do ano passado e com preços recordes no Brasil.

“Vamos ter um impacto direto no custo de produção dessas commodities no Brasil, que são a base para a produção de ração animal. E no curto prazo, não há produção dentro do país que substitua os insumos importados. Dessa forma, para os produtores, restam duas alternativas: ou eles mantêm a mesma quantidade de fertilizantes, o que encarece o custo e pode reduzir a margem de lucro, ou os produtores reduzem os fertilizantes para conseguirem preços mais competitivos, mas, neste caso, com prováveis perdas de produtividade”, disse a doutora em Economia e pesquisadora associada do Ipea, Ana Cecília Kreter.

Apesar da expectativa que a subida no preço atinja todas as carnes, os especialistas apontam um aumento mais acentuado no custo da proteína suína e no quilo do frango.

De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a alimentação de ambos os animais representa a parcela mais dispendiosa para o setor.

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sinalizam que a nutrição das galinhas e dos suínos concentra cerca de 80% do custo total do empresário. Em relação ao gado, a alimentação soma aproximadamente 25%.

“A maior parte da nutrição do frango e dos suínos é o carboidrato, no caso o milho. Para a alimentação desses animais, o milho é o mais utilizado disparado. E logo esse grão foi muito afetado por toda a questão da guerra na Europa. O trigo é o substituto para o milho, mas o insumo também registra altas consideráveis. A alimentação do frango e do porco é constituída 70% por milho. Os outros 30% são farelo de soja, que também apresenta um aumento. Já quando falamos do boi, nós conseguimos ter uma alimentação mais diversificada”, explicou Iglesias.

O especialista da Safras & Mercado também fez uma projeção para o segmento no Brasil.
Para ele, o impacto no custo da proteína animal no país dependerá diretamente do tempo de duração dos ataques russos à Ucrânia.

O setor vai precisar urgentemente de ajustes produtivos para coibir ao máximo a alta desses produtos. Os grãos estão subindo muito de preço por causa da guerra.

E o custo no Brasil tende a crescer ainda mais em função de outro motivo: com a menor oferta mundial, que foi causada pelo conflito, a exportação no país virou uma realidade.

Esses ajustes produtivos seguem no radar do mercado para que haja correção na rota, principalmente no custo dos suínos e do frango”, finalizou Fernando Iglesias.


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