O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que discute com aliados e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva qual cargo deverá disputar nas próximas eleições em São Paulo. Pela primeira vez de forma pública, o ministro reconheceu que avalia diferentes possibilidades de candidatura e destacou que a decisão final ainda depende da composição política da chapa que será formada para o pleito.
Segundo Haddad, as conversas estão em andamento e envolvem não apenas a definição do cargo que poderá disputar, mas também a construção de alianças e a escolha de nomes que integrarão o grupo político na eleição. Ele afirmou que o processo exige cautela e diálogo entre os partidos que compõem a base política do governo.
O ministro confirmou ainda que pretende deixar o comando do Ministério da Fazenda na próxima semana, movimento considerado necessário para quem deseja concorrer nas eleições. Nos bastidores da política, a principal hipótese discutida é uma candidatura ao governo do estado de São Paulo.
Haddad afirmou que o tema vem sendo tratado diretamente com Lula e que as decisões serão tomadas de forma conjunta. Segundo ele, a definição envolve avaliar não apenas a viabilidade eleitoral, mas também o desenho da chapa e o equilíbrio entre as forças políticas que apoiarão a candidatura.
O ministro disse que o cenário eleitoral no estado apresenta desafios, especialmente diante da presença do atual governador Tarcísio de Freitas, que aparece bem posicionado em pesquisas de intenção de voto. Mesmo assim, Haddad defendeu que a disputa eleitoral deve ser marcada por debates de alto nível e pela apresentação de propostas concretas para a população.
De acordo com ele, o campo progressista precisa elevar o nível do debate público e evitar que a eleição se transforme em uma disputa marcada apenas por confrontos políticos. Para Haddad, é necessário apresentar soluções para os problemas do estado e discutir projetos capazes de promover desenvolvimento econômico e inclusão social.
Com a eventual saída de Haddad do Ministério da Fazenda, a tendência é que o atual secretário executivo da pasta, Dario Durigan, assume o comando do ministério. Durigan é considerado um dos principais auxiliares do ministro e acompanha de perto a formulação da política econômica do governo desde o início do terceiro mandato do presidente Lula.
A escolha de Durigan é vista como uma forma de garantir continuidade às diretrizes econômicas que vêm sendo adotadas pela equipe da Fazenda. Haddad destacou que o secretário executivo possui experiência na gestão pública e mantém uma relação de confiança com o presidente da República.
Dario Durigan é formado em Direito pela Universidade de São Paulo e possui mestrado em Direito pela Universidade de Brasília. Antes de assumir a secretaria executiva do ministério, trabalhou no setor privado e também atuou em diferentes cargos na administração pública.
Entre os anos de dois mil e onze e dois mil e quinze, Durigan integrou a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil durante o governo da ex presidente Dilma Rousseff. Posteriormente, entre dois mil e quinze e dois mil e dezesseis, foi assessor especial na Prefeitura de São Paulo durante a gestão de Fernando Haddad.
Caso a mudança se confirme, a secretaria executiva da Fazenda deverá ser ocupada pelo atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. Ele é apontado como um dos responsáveis pela elaboração do arcabouço fiscal que orienta a política de controle das contas públicas do governo federal.
O novo modelo fiscal substituiu o antigo teto de gastos e estabelece limites para o crescimento das despesas públicas. Pela regra atual, os gastos do governo podem crescer acima da inflação, mas dentro de um limite de até dois vírgula cinco por cento ao ano em termos reais.
Ceron também possui histórico de atuação ao lado de Haddad na administração pública. Auditor fiscal do município de São Paulo, ele participou da gestão do atual ministro na prefeitura da capital paulista, exercendo cargos como subsecretário do Tesouro e posteriormente secretário de Finanças.
A possível candidatura de Haddad em São Paulo é acompanhada de perto por lideranças políticas e partidos aliados, que avaliam o impacto da disputa estadual no cenário político nacional. O estado é considerado um dos principais colégios eleitorais do país e costuma exercer influência significativa nas eleições presidenciais.
Nos bastidores, dirigentes partidários avaliam que a presença de Haddad na disputa pode reorganizar o cenário eleitoral paulista e influenciar alianças políticas tanto no campo governista quanto entre partidos de oposição.
A definição sobre a candidatura deverá ocorrer nas próximas semanas, após novas conversas entre Haddad, o presidente Lula e dirigentes partidários. Até lá, o ministro segue conduzindo as atividades no Ministério da Fazenda enquanto finaliza as negociações políticas relacionadas ao processo eleitoral.
Foto: Washington Costa/MF

