O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou nesta sexta-feira, dia 20, que considera natural a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin como companheiro de chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela reeleição. Ao mesmo tempo, o agora pré-candidato ao governo de São Paulo indicou que ainda pretende dialogar com aliados antes de definir a composição completa da disputa estadual.

Haddad destacou que a aliança formada em 2022 segue sendo uma referência positiva e afirmou ser um dos principais entusiastas da parceria entre Lula e Alckmin. Segundo ele, a manutenção da chapa presidencial é um caminho consistente, mas ressaltou que pretende ouvir o próprio Alckmin para avaliar o melhor arranjo político tanto no plano nacional quanto no cenário paulista.

A declaração foi feita durante encontro com jornalistas em São Paulo, um dia após Haddad oficializar sua pré-candidatura ao governo do estado. Na ocasião, Lula mencionou a possibilidade de Alckmin disputar o Senado na chapa estadual, o que mantém em aberto as definições sobre a composição final.

O petista afirmou que iniciará nas próximas semanas uma rodada de conversas com partidos aliados e lideranças políticas para construir a candidatura. Ele citou nomes como Márcio França, Marina Silva, Guilherme Boulos, Tabata Amaral, Erika Hilton e Caio França como interlocutores no processo de articulação.

Haddad também sinalizou que pretende ampliar a base de apoio e não descartou alianças com partidos de perfil mais conservador, desde que sejam respeitados princípios e diretrizes programáticas. Segundo ele, a experiência de eleições anteriores demonstra que é possível construir convergências sem abrir mão de valores.

No cenário atual, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, é apontada como possível candidata ao Senado na chapa, embora ainda haja indefinições sobre filiação partidária. Haddad ressaltou a importância estratégica das vagas no Senado, destacando que a formação de maioria na Casa é prioridade para viabilizar projetos e reformas em um eventual novo governo federal.

Ao comentar a disputa estadual, Haddad rebateu críticas sobre sua resistência inicial em concorrer ao governo paulista. Ele afirmou que sua decisão foi resultado de diálogo com Lula e de avaliação sobre a melhor contribuição política no momento.

O ex-ministro também fez críticas ao governador Tarcísio de Freitas, afirmando que o adversário ainda não possui familiaridade com o estado de São Paulo. Haddad relembrou que Tarcísio cogitou disputar o Senado por Goiás antes de entrar na corrida pelo governo paulista, sugerindo que sua ligação com o estado é recente.

Na avaliação de Haddad, Simone Tebet possui mais vínculos com São Paulo do que o atual governador. Ele criticou ainda declarações de aliados de Tarcísio que questionaram a legitimidade da ministra para disputar o Senado no estado.

Durante a entrevista, Haddad afirmou que pretende conduzir uma campanha baseada em propostas e discussão de temas concretos. Ele demonstrou preocupação com a situação fiscal do estado, além de apontar desafios nas áreas de educação e segurança pública.

O ex-ministro destacou sua experiência à frente da Fazenda e do Ministério da Educação como base para apresentar soluções. Segundo ele, há fragilidades na gestão estadual, com indicadores que não avançaram e, em alguns casos, apresentaram retrocesso.

Entre os dados mencionados, Haddad citou o aumento dos casos de feminicídio em 2025, que chegaram a 266 registros, representando crescimento de 8,1% em relação ao ano anterior. Para ele, o enfrentamento à violência deve ser prioridade na agenda estadual.

Haddad também ressaltou a importância de ampliar a divulgação dos investimentos federais em São Paulo. Segundo ele, grande parte das obras e projetos conta com recursos da União, mas essa informação nem sempre chega à população.

Ele afirmou que pretende construir o plano de governo ouvindo diferentes setores da sociedade, incluindo gestores públicos, acadêmicos, ambientalistas e representantes da iniciativa privada. O objetivo é elaborar propostas que atendam às principais demandas do estado.

Apesar das críticas à atual gestão, Haddad afirmou que respeitará contratos firmados, inclusive em áreas como privatizações e concessões. Segundo ele, o respeito aos atos jurídicos é fundamental para garantir segurança institucional, mesmo diante de divergências políticas sobre decisões adotadas anteriormente.

O pré-candidato concluiu afirmando que buscará apresentar um projeto consistente para São Paulo, com foco em desenvolvimento econômico, inclusão social e melhoria dos serviços públicos, destacando que a construção da chapa e das alianças será decisiva para o sucesso da candidatura.

Foto: Ministério da Fazenda /Divulgação


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