O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 3, que tem mantido conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o cenário eleitoral de 2026. Em entrevista à Rádio BandNews, Haddad adotou tom descontraído ao comentar o diálogo com o chefe do Executivo. “Vamos ver quem convence quem”, disse, ao ser questionado sobre seu futuro político e a possibilidade de disputar eleições no próximo pleito.

O ministro voltou a afirmar que seu desejo principal é participar da campanha de reeleição de Lula, contribuindo para a estratégia eleitoral do governo. Na semana passada, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou que Haddad deve ser candidato em 2026 e defendeu que auxiliares do presidente com força eleitoral precisam “vestir a camisa” para enfrentar a direita nos Estados.

Durante a entrevista, Haddad avaliou que a experiência da campanha de 2022 pode servir como referência para a próxima disputa presidencial. Ele destacou a importância da frente ampla, que reuniu partidos e lideranças de diferentes campos políticos, como um modelo capaz de garantir estabilidade política e apoio social. O ministro foi questionado, inclusive, sobre o nome da ministra Simone Tebet para uma eventual candidatura em São Paulo.

Apesar de ser cotado para disputar o Senado ou o governo paulista, Haddad reiterou que não pretende concorrer nas eleições de 2026. Segundo ele, há quadros relevantes no campo progressista, que demonstraram força nas urnas nas eleições de 2022. O ministro ressaltou que esses nomes devem ser considerados na construção do projeto eleitoral do governo.

Haddad também lembrou que já manifestou, em outras ocasiões, interesse em integrar o comando da campanha de Lula. O presidente, porém, resiste à ideia e já afirmou publicamente que não imagina um político “da envergadura dele” deixando o Ministério da Fazenda e “indo para casa”.

Ao comentar a política fiscal, o ministro disse que o Executivo seguirá “exigente” ano a ano com as contas públicas, embora dependa do Congresso Nacional. Ele afirmou ainda discordar, do ponto de vista conceitual, de decisões judiciais que excluem receitas do cálculo do arcabouço fiscal, citando críticas recentes a entendimento do Supremo Tribunal Federal.

Foto: Diogo Zacarias/MF


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