O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira que acredita que o Supremo Tribunal Federal encontrará caminhos institucionais para lidar com os impactos do caso Master sobre a imagem da Corte. A declaração foi feita em entrevista ao portal Metrópoles, na qual o ministro avaliou que situações de desgaste exigem respostas internas claras para preservar a credibilidade das instituições.
Segundo Haddad, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem demonstrado disposição para conduzir o debate de forma responsável. “O presidente Fachin está com o melhor ânimo para dar uma resposta a isso da maneira adequada e vai encontrar o caminho junto aos seus pares”, afirmou. Para o ministro da Fazenda, o episódio serve de alerta não apenas ao Supremo, mas a todas as instituições públicas.
Haddad defendeu que problemas institucionais precisam ser enfrentados com transparência e mecanismos próprios de correção. “Se você está com um problema institucional, você tem que ter os mecanismos internos de saneamento. E você não pode temer sanear, porque é nesse gesto que você recupera a credibilidade institucional”, declarou.
O ministro também revelou que o caso Master foi tema de um almoço recente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro Dias Toffoli, relator do processo no STF. De acordo com Haddad, Lula defendeu que o país precisa apresentar uma resposta clara à sociedade diante das suspeitas levantadas. Segundo ele, o presidente avalia que o Brasil vive uma oportunidade histórica de enfrentar crimes financeiros e corrupção em níveis mais elevados.
“É uma oportunidade que nós temos de dar uma resposta para a sociedade. Quando você, diante de um problema, responde da maneira adequada, você fortalece as instituições”, afirmou Haddad, reforçando a necessidade de atuação firme do Estado.
Na entrevista, o ministro da Fazenda também abordou outros temas. Ele voltou a defender mudanças constitucionais que permitam maior integração nacional no combate ao crime organizado, avaliando que o enfrentamento fragmentado dificulta resultados efetivos.
Sobre a política monetária, Haddad comentou o comunicado recente do Banco Central que indicou a possibilidade de corte de juros a partir de março. Segundo ele, a redução dos juros pode contribuir para estabilizar a trajetória da dívida pública, que registrou alta de dezoito por cento no ano passado.
“O anúncio de que vai começar a cortar juro vai fazer essa trajetória se acomodar em um patamar razoável. Porque, na verdade, pagando dez por cento de juro real, não tem superávit primário compatível com a estabilização da dívida”, avaliou.
Haddad confirmou ainda que deixará o comando do Ministério da Fazenda em fevereiro. De acordo com ele, a definição do substituto caberá ao presidente Lula, sendo o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, o principal cotado para assumir o cargo.
Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

