O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que um eventual atraso na assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode ser decisivo para viabilizar a conclusão do tratado. Para ele, conceder mais tempo aos governos europeus permitirá esclarecer agricultores de países como França e Itália de que não haverá prejuízos econômicos relevantes decorrentes do pacto.
Em conversa com jornalistas, Haddad ressaltou que a resistência ao acordo não corresponde ao conteúdo negociado e decorre, em parte, de pressões políticas internas. Segundo ele, o texto inclui mecanismos de salvaguarda e proteção que afastam riscos à produção agrícola europeia.
“Vale a pena insistir um pouco mais nessa percepção, porque não há prejuízo, não há prejuízo para os agricultores italianos e franceses”, afirmou o ministro, ao defender paciência diplomática. Ele disse que, se for necessário um curto adiamento para explicar melhor o acordo à opinião pública, a espera será positiva.
As declarações ocorreram antes de a Comissão Europeia comunicar oficialmente o adiamento da assinatura para janeiro. A formalização estava prevista para a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, mas enfrentou oposição de governos europeus pressionados por setores agrícolas.
Haddad afirmou ter enviado mensagem ao presidente francês Emmanuel Macron para destacar o caráter geopolítico do tratado. Segundo o ministro, o acordo representa um sinal político relevante ao mundo, ao evitar o retorno de um ambiente de tensão entre blocos econômicos fechados.
Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relatou conversa telefônica com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. De acordo com Lula, a líder italiana não se opõe ao acordo, mas enfrenta dificuldades internas e pediu prazo para dialogar com agricultores. “Ela pediu paciência de uma semana, dez dias, no máximo um mês”, disse o presidente, ao comentar a resistência no continente europeu.
A França, principal crítica ao pacto, liderou articulações recentes para postergar a assinatura do tratado. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou aos líderes do bloco que a formalização ficou para janeiro. Para o governo brasileiro, o adiamento não compromete o objetivo estratégico de concluir o acordo após mais de duas décadas de negociações.
Negociado há mais de vinte anos, o tratado Mercosul-União Europeia poderá criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 722 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões.
Para Haddad, persistir no diálogo reforça confiança mútua, reduz ruídos políticos e aumenta as chances de um entendimento equilibrado, sustentável e benéfico para ambas as regiões.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

