O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad voltou a criticar a atuação do Banco Central em decisões relacionadas ao Banco Master durante a gestão de Roberto Campos Neto. Em entrevista concedida nesta quarta-feira, Haddad afirmou que a autoridade monetária ignorou, por anos, alertas sobre a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, levantando dúvidas sobre a condução do caso.

Segundo Haddad, não há registros de decisões favoráveis ao Banco Master antes ou depois do período em que Campos Neto esteve à frente do Banco Central. Para ele, isso reforça questionamentos sobre o motivo de a gestão ter sido alvo de críticas. O ex-ministro destacou que instituições do sistema financeiro, incluindo o Fundo Garantidor de Créditos e bancos, teriam sinalizado problemas relacionados à atuação da instituição.

O petista afirmou que o banco cresceu ao longo de anos sem que fossem adotadas medidas preventivas que evitassem irregularidades. Na avaliação dele, a falta de ação contribuiu para o agravamento da situação, que classificou como um episódio de grande impacto no sistema financeiro nacional.

Haddad também fez distinção entre a responsabilidade direta por eventuais ilícitos e a atuação institucional. Ele ressaltou que há investigações em curso envolvendo diretores ligados à gestão do Banco Central, mas destacou que o ex-presidente da autarquia não responde pessoalmente por acusações criminais. Ainda assim, defendeu que a atuação da instituição precisa ser esclarecida.

O ex-ministro levantou questionamentos sobre as razões que levaram o Banco Central a não agir diante dos alertas recebidos. Para ele, é necessário apurar se houve omissão, falhas técnicas ou outros fatores que possam explicar a ausência de medidas mais rigorosas.

Além disso, Haddad afirmou esperar que as investigações avancem e alcancem todos os envolvidos, independentemente de filiação política. Ele reforçou a importância de atuação das autoridades competentes para esclarecer os fatos e responsabilizar eventuais culpados.

O ex-ministro também mencionou que, durante sua passagem pelo governo, optou por não manter contato com o banqueiro, após receber alertas sobre riscos associados à instituição. A declaração reforça a posição crítica adotada por Haddad em relação ao episódio, que segue sendo alvo de debate no cenário político e econômico.

Foto: Diogo Zacarias/MF


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