O grupo palestino Hamas classificou como “uma declaração de intenção de ocupar o território” a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os EUA assumam o controle da Faixa de Gaza e realoquem sua população. A declaração foi feita pelo porta-voz do Hamas, Hazem Qasem, nesta quinta-feira (6).

“Não precisamos de nenhum país para governar Gaza e rejeitamos a substituição de uma ocupação por outra”, afirmou Qasem, reiterando que “Gaza pertence ao seu povo e eles não irão embora”.

No mesmo dia, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ordenou que o exército elabore um plano que permita a saída “voluntária” dos habitantes de Gaza para qualquer país que aceite recebê-los.

A proposta de Trump, apresentada na terça-feira durante uma reunião com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em Washington, gerou forte indignação na comunidade internacional. A ONU alertou contra “qualquer forma de limpeza étnica”.

Os cerca de 2,4 milhões de palestinos que vivem na Faixa de Gaza estão impedidos de deixar o território, cercado por Israel e devastado pelo conflito iniciado após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Um cessar-fogo foi estabelecido em 19 de janeiro após meses de negociações.

Trump reiterou na terça-feira que os habitantes de Gaza poderiam ser deslocados para Egito e Jordânia, mas ambos os países rejeitaram categoricamente essa possibilidade. Diante das reações adversas, o secretário de Estado, Marco Rubio, esclareceu na quarta-feira que qualquer deslocamento dos palestinos seria temporário.

No entanto, Trump reafirmou sua proposta nesta quinta-feira. “A Faixa de Gaza será entregue aos Estados Unidos por Israel ao final da luta”, escreveu em sua rede Truth Social. Segundo ele, os palestinos seriam “reassentados em comunidades muito mais seguras e modernas na região”.

Em resposta, o Hamas solicitou a convocação de uma “cúpula árabe urgente para enfrentar o projeto de deslocamento” e instou os países árabes a resistirem às pressões dos EUA. Além disso, pediu que “as organizações internacionais tomem medidas contundentes contra o plano de Trump”.

Foto: Bashar Taleb


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