Por Geraldo Elísio (Repórter e escritor)

A Internet transformou todos nós em testemunhas do fim de uma era. Logicamente sem isso significar o final dos tempos contido na Bíblia. Até porque, isto eu acredito, já deve ter ocorrido algumas vezes antes, sendo de conhecimento público mais notório a extinção dos dinossauros.

Lógico, muitos deles – não em termos dos mastodontes ainda permanecem por aí – ainda que em formas humanas, porém com os mesmos cérebros de milhares de anos passados. Creio mesmo que alguns desta espécie resistirão até o último instante com as suas mentes impregnadas de cobiça e falta de reflexão.

A propósito, lembro uma história engraçada envolvendo dois ex-parlamentares mineiros. Acreditem se quiser, Minas Gerais já dispôs de parlamentares verdadeiros, ainda que em termos ideológicos você pudesse ou não concordar ou discordar deles. O tema em pauta se refere aos deputados José Bonifácio de Andrada (Zé “Bodeco”) e Morvan Acayaba, coincidentemente dois direitistas, Morvam levando algumas cabeças de frente na raia.

Isto ocorreu após a abertura política pós golpe civil militar de 64, quando o Zé “Bodeco” observou: “Quando isto terminar todos nós da direita seremos fuzilados…” A isto retrucou o Morvan:

– Todos nós não. Vocês, os Andradas ficarão vivos, detidos em museus especiais para as futuras gerações conhecerem o que eram os direitistas. Afinal desde o início do império vocês andam em burros oficiais.

Houve uma gargalhada geral e a constatação de que naqueles tempos a política tinha humor e honestidade a permear pequenas irregularidades, o que não é o caso dos dois cidadão citados pelo autor.

Hoje as coisas ocorrem de jeito muito diferente, a começar pela carência do principal elemento a definir o gênero homo sapiens, no caso a ausência recaindo no segundo vocábulo. Se fosse diferente outro seria o estágio civilizatório atingido pelo que nós, muitas vezes erroneamente insistimos em chamar de política.

Porém uma dúvida me assalta. Não sei com certeza se eu devo ler tal tipo de literatura ou apelar para a poesia. Afinal posso reler Castro Alves. É só abrir na página onde ele escreve:

Deus, ó Deus, onde estás que não responde / Em que mundo, em qual estrela / Tu te escondes embuçado nos céus…”.