Uma motociclista é atendido a cada duas horas vítima de acidentes em Belo Horizonte. Os dados são do Hospital João XXIII, o maior pronto-socorro de Minas Gerais. De janeiro a junho deste ano, foram 2.226 atendimentos a acidentados com esse tipo de veículo.
De acordo com o gerente médico do Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência da Fhemig, Rodrigo Muzzi, os acidentes com motos representam cerca de 80% dos atendimentos as vítimas de ocorrências de trânsito, na unidade. “A maioria são casos leves, mas alguns já chegam aqui sem vida, são acidentes fatais”, conta.
Os pacientes, segundo ele, chegam, geralmente, com escoriações e alguns com fraturas. No entanto, a situação tende a ser pior quando estes motociclistas estão em alta velocidade. A gravidade desse tipo de atendimento muda completamente. Além dessas escoriações, fraturas, a gente tem os traumatismos cranianos, traumatismo raquimedular, fraturas de costela”, acrescenta.
Situação a qual um conhecido de Alisson Adriano dos Santos, um motoboy de 26 anos, conseguiu escapar. Ele conta que um colega de profissão quase perdeu a vida enquanto pilotava por uma das avenidas de Belo Horizonte. O homem teve que se afastar das atividades após se machucar gravemente e ser socorrido ao hospital. “Ele estava subindo a Avenida Amazonas e foi aceitar um pedido no celular. Os carros pararam, ele foi frear e caiu.[…] Se machucou e ficou vários dias sem trabalhar”, relembra.
Para Alisson dos Santos, essa situação de riscos é cada vez mais comum para quem usa motocicletas. O motoboy conta que além da direção perigosa que alguns motociclistas adotam, falta também colaboração dos demais motoristas. Outro problema apontado por ele é o uso do celular. Para quem trabalha com entregas, o risco é ainda mais rotineiro. “Eu mesmo quase bati. Fui atender um pedido e não olhei o trânsito”, disse.
O uso do celular no trânsito é motivo de preocupação também para quem trabalha nas unidades de pronto-socorro. O gerente médico do Complexo Hospitalar de Urgência e Emergência da Fhemig, Rodrigo Muzzi, aponta que os efeitos do uso do celular em carro e moto é semelhante aos do sono. Apesar de não ter conhecimento da dinâmica dos acidentes das vítimas que chegam a unidade, ele reforça a necessidade de atenção no trânsito, principalmente para quem trabalha. “Qualquer acidente com motociclista é potencialmente grave”, alerta.

