O real e o Ibovespa se recuperaram de desempenhos negativos em abril e voltaram ao ranking das dez maiores valorizações no mês de maio, segundo um levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating feito a pedido do CNN Brasil Business.

No último mês, a moeda brasileira valorizou 4%, com o sétimo melhor desempenho dentre 120 países. Já o Ibovespa ficou quinto lugar entre 78 países, com alta de 8,48%.

Em abril, os dois tinham registrado fortes recuos, com o real na 85ª posição e o Ibovespa tendo o segundo pior desempenho no mundo.

Segundo o levantamento, a moeda que mais se valorizou no mês foi o rublo, da Rússia, com alta de 12,3%, com uma recuperação após as perdas com a guerra na Ucrânia e beneficiado pela concentração de investimentos no país devido às sanções internacionais. A hvrynia, moeda ucraniana, também se recuperou, com o terceiro melhor desempenho.

Na ponta negativa, a maior desvalorização foi do quacha, moeda do Malawi, que caiu 20% em meio a um esforço do país para desvalorizar a moeda.

A Turquia, que passa por uma saída de capital após intervenções do governo no banco central, ficou com o terceiro lugar.

Já dentre os principais índices das bolsas de valores ao redor do mundo, os países ligados a commodities foram beneficiados por novas altas nos preços.

A bolsa chilena teve a maior alta, de 15,75%, seguida pela colombiana, de 12,59%.  A maior queda foi registrada no Quênia, de 14,85%.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, atribui o bom desempenho no mês a novidades sobre o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos.

“O Brasil teve uma das maiores valorizações em posições, e isso principalmente por conta da declaração do Jerome Powell nos Estados Unidos de que vão subir mais moderadamente os juros”, afirma.

Powell, presidente do Federal Reserve, indicou que a autarquia não deve realizar altas de 0,75 ou 1 ponto percentual nas taxas de juros, o que aliviou temores do mercado sobre uma possível recessão no país e reduziu a aversão a riscos, beneficiando mercados como o brasileiro.

Agostini ressalta que a bolsa brasileira está barata, com boas oportunidades, o que acaba atraindo os investidores. “Quando você tem uma economia muito forte, a bolsa sobe porque há uma expectativa de retorno maior das ações. Não é o caso. A gente está tendo um crescimento em cima de uma base de ações de forte queda recentemente”.

A expectativa, segundo ele, é que esse cenário se mantenha nos próximos meses, até o período eleitoral, em que o mercado brasileiro pode acabar sendo prejudicado pelo ambiente de incertezas elevadas.

Os países emergentes e ligados à produção e exportação de commodities também foram beneficiados pelo anúncio da China em maio de que encerraria o lockdown em Xangai, um importante polo econômico, e reduziria restrições na capital, Pequim.

A expectativa é que a reabertura aumente a demanda por commodities, com preços subindo e beneficiando mercados ligados a elas.