Lideranças indígenas que participam da 22ª edição do Acampamento Terra Livre, em Brasília, aguardam um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo desta semana. O evento reúne mais de seis mil participantes de diversas regiões do país e tem como principal pauta a aceleração dos processos de demarcação de terras indígenas.
Segundo o coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Kleber Karipuna, há diálogo em andamento com o governo federal para viabilizar a presença do presidente no acampamento. A expectativa é que o encontro permita discutir avanços concretos ainda neste ano em temas prioritários para o movimento indígena.
As lideranças também esperam que o governo anuncie medidas relacionadas à regularização fundiária e à proteção das comunidades. De acordo com Karipuna, um documento entregue anteriormente ao Executivo reúne fundamentos técnicos, jurídicos e administrativos de 107 terras indígenas consideradas aptas para regularização.
Ele avalia que o país precisa assumir compromissos mais amplos, envolvendo cerca de 58 milhões de hectares nos próximos cinco anos, seja por meio da demarcação formal ou de ações de proteção territorial. Apesar de reconhecer avanços recentes, como a homologação de 20 terras indígenas nos últimos anos, o coordenador afirma que o ritmo ainda é insuficiente diante do passivo histórico.
A mobilização também chama atenção para outros desafios enfrentados pelas comunidades. A líder indígena Luana Kayngang, da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul, destacou o aumento da vulnerabilidade de mulheres indígenas diante de situações de violência em territórios tradicionais.
Já o coordenador da articulação indígena do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo, Paulo Tupinambá, ressaltou que as delegações chegaram a Brasília com recursos próprios, sem financiamento público. Segundo ele, o esforço demonstra o grau de mobilização e organização dos povos indígenas em torno de suas pautas.
A programação do Acampamento Terra Livre inclui atos e marchas ao longo da semana. A primeira mobilização ocorreu nesta terça-feira (7), com saída do Eixo Monumental em direção à Praça dos Três Poderes. Durante o trajeto, os participantes buscam diálogo com representantes do governo e parlamentares, entre eles a deputada Célia Xakriabá.
Uma segunda marcha está prevista para quinta-feira (9), com o tema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. A Apib sustenta que, até o momento, ao menos 76 terras indígenas estariam prontas para homologação e aguardam apenas a assinatura presidencial, enquanto outras 34 dependem de portaria do Ministério da Justiça.
Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas destacou avanços institucionais desde sua criação, em 2023, incluindo a ocupação de cargos estratégicos por representantes indígenas. Segundo a pasta, a nova estrutura contribuiu para ampliar a participação direta dos povos originários nas decisões governamentais.
O ministério também ressaltou que a atual gestão promoveu a homologação de territórios que somam mais de 2,2 milhões de hectares. Ainda assim, lideranças indígenas afirmam que énecessário acelerar os processos para garantir segurança jurídica, preservar culturas tradicionais e reduzir conflitos fundiários em diferentes regiões do país.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

