Indígenas participaram de uma marcha na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (15). Eles chamaram a atenção para o aumento na violência contra povos originários no país. Ao menos sete morreram apenas entre entre 3 e 13 de setembro, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). As vítimas eram dos povos Guajajara, Pataxó e Guarani Kaiowá. Entre elas estão adolescentes de 14 e 16 anos.
Para o ato desta quinta, os indígenas se reuniram no Museu da República, que fica ao lado da Catedral de Brasília, no início do Eixo Monumental. Com pinturas e adereços típicos, eles seguiram até a Praça dos Três Poderes, parando em frente ao Ministério da Justiça, onde, com faixas e palavras de ordem pediram apuração rigorosa dos casos e mais proteção.
Além do combate à violência, o ato também serviu para pedir a conclusão do julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), da ação sobre o chamado “marco temporal” para demarcação de terras indígenas, defendida também por ambientalistas mas muito atacada por ruralistas e por integrantes do governo federal, incluindo o presidente Jair Bolsonaro (PL), favorável à exploração das reservas, inclusive com extração mineral.
Bolsonaro já ameaçou, mais de uma vez, não cumprir a decisão do STF sobre o marco temporal, caso o governo seja derrotado no julgamento. A Suprema Corte vai decidir se a demarcação de terras indígenas deve seguir o critério segundo o qual indígenas só podem reivindicar a demarcação das terras ocupadas antes da data de promulgação da Constituição de 1988, o marco temporal.
O julgamento começou no ano passado Até agora, votaram dois ministros: relator do caso, Luiz Edson Fachin se manifestou contra a aplicação do marco temporal; já Nunes Marques votou a favor. A análise foi interrompida em setembro de 2021 por um pedido de vista (mais tempo para analisar) de Alexandre de Moraes. Ele devolveu o processo para julgamento, mas ele ainda não entrou em pauta de julgamento.

