Uma iniciativa liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) pretende ampliar a participação do setor privado na COP30, conferência climática da ONU marcada para ocorrer entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, no Pará. Batizada de COP de Negócios Sustentáveis, ou Sustainable Business COP30 (SB COP), a plataforma foi criada com o objetivo de reunir boas práticas e casos de sucesso de empresas de diferentes países para multiplicá-los em escala global. A proposta é identificar experiências que já funcionam e oferecê-las como referência para governos, investidores e outros atores engajados na agenda climática.

Segundo a CNI, o espaço servirá como canal permanente de contribuição empresarial não apenas para a COP30, mas também para futuras conferências climáticas. A intenção é fortalecer a presença do setor privado nos processos multilaterais, apresentando iniciativas de descarbonização, transição para a economia de baixo carbono e avanços no financiamento climático.

Em entrevista, o presidente da SB COP, Ricardo Mussa, destacou que o setor privado estará cada vez mais organizado para se fazer ouvir nas COPs. Para ele, o encontro de Belém deixará como legado a consolidação da plataforma, que poderá se tornar referência para o compartilhamento de boas práticas. “Por que o projeto de bioeconomia da Malásia está funcionando? Foi por conta da legislação, do financiamento? Quando se analisa em profundidade, é possível entender o que garante o sucesso e adaptar essas experiências a outros contextos”, explicou.

Na visão de Mussa, essa troca permitirá que o poder público formule políticas mais eficazes a partir de exemplos concretos. Em vez de propor novas ideias ainda não testadas, será possível compreender porque determinadas iniciativas prosperaram e replicar seus fundamentos. As sugestões de casos bem-sucedidos podem ser enviadas até 1º de setembro, pelo site sbcop30.com.

Para Mussa, o momento é oportuno. “Como não temos hoje um clima mundial para negociar muitas coisas novas, vamos implementar o que já foi negociado. Minha visão é de que esta COP terá mais abertura do governo e da ONU para o setor privado participar. Foi uma feliz coincidência a SB COP nascer agora, o que facilita muito esse processo”, afirmou.

O dirigente ressaltou ainda que os empresários brasileiros enxergam a COP30 como oportunidade de dar visibilidade a experiências nacionais. Ele acredita que isso resultará em uma forte presença do país no rol de boas práticas internacionais. “Diferentemente de outros temas, na questão climática, o Brasil é mais parte da solução do que do problema. Temos um empresariado que pode liderar a discussão de forma genuína”, afirmou.

O Campeão de Alto Nível do Clima da COP30, Dan Ioschpe, que atua na mobilização de empresas, governos locais e instituições financeiras para apoiar a redução das emissões de gases do efeito estufa, reforçou a importância da plataforma. Ele avalia que a SB COP poderá se tornar exemplo de como pensar a implementação, tema central da conferência.

Para Ioschpe, não há mais espaço para dissociar desenvolvimento e sustentabilidade. “Ou teremos um caminho de desenvolvimento socioeconômico sustentável, ou haverá retrocesso pela falta de sustentabilidade. Isso já fica evidente em minha cidade, Porto Alegre, onde os custos sociais e econômicos de eventos climáticos extremos são crescentes e drenam recursos que poderiam acelerar o desenvolvimento”, destacou.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 


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