A indústria criativa brasileira movimentou R$ 393,3 bilhões em 2023, representando 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O dado foi divulgado em um levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O setor, que engloba desde a cultura e as artes até a tecnologia e o design, cresceu significativamente em comparação com 2022, quando correspondia a 3,21% do PIB.
Um dos profissionais que ilustra a força dessa indústria é Cesar Bravo, de 47 anos. Escritor e editor, Bravo iniciou sua carreira na indústria criativa em 2011, publicando livros de forma independente. Há cinco anos, deixou a profissão de farmacêutico bioquímico para viver exclusivamente de seu trabalho editorial. “Sou muito grato e feliz por conseguir viver do que eu gosto. Eu servi ao mercado tradicional por muito tempo, mas nunca foi onde me senti feliz. Minha filha tem 8 anos e é minha fã. Só de ter uma filha que admira o trabalho do pai da forma que ela admira, já pagaria todas as contas”, declarou. Atualmente, Bravo tem seis livros publicados e trabalha com uma grande editora.
A indústria criativa é composta por quatro grandes segmentos: consumo (publicidade, marketing, arquitetura, moda e design), tecnologia (pesquisa, biotecnologia, tecnologia da informação e comunicação), mídia (editorial e audiovisual) e cultura (expressões culturais, música, patrimônio e artes cênicas).
Em 2023, o setor empregava 1,26 milhão de pessoas. As principais áreas de atuação foram publicidade e marketing (348 mil), pesquisa e desenvolvimento (212 mil), tecnologia da informação e comunicação (209 mil), arquitetura (116 mil) e design (105 mil). O crescimento no número de empregos foi de 6,1% em relação ao ano anterior, o dobro da taxa de crescimento do mercado de trabalho como um todo, que foi de 3,6%.
Nos segmentos de mídia e cultura, destacam-se o mercado editorial (52 mil trabalhadores), expressões culturais (47 mil) e audiovisual (45 mil). Segundo a coordenadora da pesquisa, Júlia Zardo, o impacto da indústria criativa ultrapassa os limites das empresas do setor. “Isso é muito interessante porque não são trabalhadores somente em empresas criativas, mas são trabalhadores criativos em diversas outras empresas, mostrando como esse trabalhador pode trazer valor para outras indústrias do Brasil”, afirmou.
As ocupações com maior crescimento em 2023 foram analista de e-commerce (alta de 224,9%), profissional de mídias digitais (74,3%), produtor cultural (39,3%) e apresentador de eventos (36,6%).
Regionalmente, quatro estados tiveram mais de 4% de seu PIB oriundo da indústria criativa: São Paulo (5,3%), Rio de Janeiro (5,2%), Distrito Federal (4,9%) e Santa Catarina (4,2%). Já os estados com menor participação foram Maranhão (0,6%), Tocantins (0,7%), Rondônia, Acre e Alagoas (0,9% cada).
A expectativa para os próximos anos é de que a indústria criativa continue crescendo, impulsionada por políticas públicas de incentivo implementadas após a pandemia de covid-19. “Esses dados são até 2023. Isso quer dizer que a gente ainda espera um aumento relevante depois do impacto nos municípios dessa descentralização de recurso público, por exemplo, com a Lei Paulo Gustavo. A gente tem diversas ações que foram tomadas, principalmente públicas, que ainda vão reverberar, com certeza, positivamente na indústria criativa nos próximos anos”, concluiu Júlia Zardo.
Foto: Fernando Frazão/Agência Bras

