A atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ao longo de 2025 resultou em uma injeção média de R$ 1 bilhão de reais por dia na economia brasileira. O dado foi apresentado no balanço financeiro divulgado nesta terça-feira, 17, na sede da instituição, no Rio de Janeiro. No total, o banco mobilizou R$ 366 bilhões de reais em financiamentos e garantias de crédito ao longo do ano.
O volume representa crescimento de 32% em relação ao desempenho registrado em 2024. Quando comparado ao resultado de 2022, último ano da gestão anterior do banco, o valor é 140% superior. Os dados foram apresentados durante coletiva conduzida pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
De acordo com o relatório da instituição, o impacto de R$ 366 bilhões de reais na economia foi dividido entre R$ 237,9 bilhões de reais em aprovações de operações de crédito e R$ 128,2 bilhões de reais em garantias concedidas pelo banco. Esse segundo mecanismo funciona como uma forma de aval para financiamentos contratados por empresas.
Segundo Mercadante, o volume de recursos liberados demonstra a capacidade do banco de estimular investimentos produtivos no país. Ele afirmou que o financiamento de projetos contribui para ampliar a modernização da economia, incentivar a inovação tecnológica e promover a transição para atividades mais sustentáveis.
O presidente do BNDES também destacou que o aumento da produtividade e da competitividade das empresas pode contribuir para ampliar a oferta de produtos e reduzir pressões inflacionárias estruturais.
O balanço aponta ainda crescimento na procura por financiamento. Em 2025, as consultas realizadas por empresas interessadas em crédito somaram R$ 389,2 bilhões de reais. Esse valor representa expansão de 19% em relação ao registrado em 2024 e demonstra o interesse do setor produtivo em ampliar investimentos.
As aprovações de crédito alcançaram R$ 237,9 bilhões de reais, crescimento de 12% em comparação com o ano anterior. Já os desembolsos efetivos, que correspondem ao dinheiro efetivamente liberado para execução de projetos, atingiram R$ 169,7 bilhões de reais, aumento de 27% frente a 2024.
A diferença entre os valores aprovados e os desembolsos ocorre porque os financiamentos nem sempre são liberados integralmente no momento da contratação. Em muitos casos, os recursos são liberados gradualmente conforme o andamento das obras ou investimentos financiados.
O relatório indica ainda que as operações aprovadas e os desembolsos realizados pelo banco em 2025 representaram cerca de 1,9% do Produto Interno Bruto do país.
Entre os setores mais beneficiados pelos financiamentos do banco está a infraestrutura, que recebeu R$ 71,4 bilhões de reais em aprovações de crédito. Em seguida aparece o setor industrial, com R$ 71 bilhões de reais destinados a projetos de expansão e modernização.
A agropecuária registrou R$ 54,3 bilhões de reais em financiamentos aprovados, enquanto o setor de comércio e serviços recebeu R$ 41,2 bilhões de reais. Entre todos os segmentos analisados, a indústria foi o setor que apresentou maior crescimento na concessão de crédito, com expansão de 35% em comparação com 2024.
O ano de 2025 também marcou o segundo período consecutivo em que a indústria superou a agropecuária no volume de financiamentos aprovados pelo banco.
Outro destaque do balanço foi o apoio às micro, pequenas e médias empresas. As aprovações de crédito e garantias destinadas a esse grupo chegaram a R$ 224 bilhões de reais em 2025. O valor representa crescimento de 43% em relação a 2024 e aumento de 215% em comparação com 2022.
Segundo Mercadante, o acesso ao crédito é um dos principais desafios enfrentados por empresas de menor porte. Por esse motivo, os fundos garantidores operados pelo BNDES desempenham papel importante na ampliação do financiamento para esse segmento da economia.
O balanço também mostra que a carteira de participações acionárias do banco alcançou R$ 86,4 bilhões de reais. Esse montante corresponde ao valor investido em ações e fundos de investimento ligados a empresas públicas e privadas.
Entre as companhias que contam com participação do banco estão Petrobras, JBS, Axia Energia e Copel. Essas participações fazem parte da estratégia de investimento do BNDES em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico do país.
Desde janeiro de 2023, o banco também recebeu R$ 54,8 bilhões de reais em dividendos e na venda de participações societárias. Esses recursos reforçam o caixa da instituição e contribuem para ampliar sua capacidade de financiamento.
Outro indicador destacado no relatório é o baixo nível de inadimplência da carteira de crédito. Em 2025, a taxa registrada foi de apenas 0,06%, índice considerado significativamente inferior à média observada no sistema bancário brasileiro, que está em torno de 4,08%.
Ao detalhar a estrutura dos empréstimos concedidos no período, o BNDES informou que 65,5% das operações foram realizadas com juros de mercado. Outros 34,1% correspondem a financiamentos classificados como incentivados, com condições especiais.
Apenas 0,4% das operações correspondem a recursos não reembolsáveis, normalmente destinados a projetos específicos de interesse público.
A diretoria do banco também lembrou que parte do lucro anual pode ser transferida ao Tesouro Nacional. Pela legislação, pelo menos 60% do resultado financeiro pode ser destinado ao governo federal.
Segundo Mercadante, essa contribuição ajuda no equilíbrio das contas públicas. Ele afirmou, porém, que o banco continuará priorizando a manutenção da sua capacidade de financiamento e de apoio ao investimento produtivo no país.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

