Por Geraldo Elísio (Repórter e crítico de artes)
Estou a dever uns parabéns a Paulinho da Viola, um dos grandes nomes da Portela e ao Milton Nascimento, ídolo maior do Clube da Esquina. E o faço agora, os dois já com 80 anos completos de talentos inigualáveis de boa música a enriquecer a cultura brasileira e do mundo.
O carinho do público para com esses dois gigantes é um testemunho inconteste do trabalho realizado pelos dois e de nossa sorte em viver ao mesmo tempo em que eles, podendo ter convivido com ambos em casas de espetáculos e outras circunstâncias que nos orgulham.
A minha vida registra uma marca notória de convívio com as artes em todos os seus planos, razão pela qual em nível modesto me orgulho. Acrescentando que esta trajetória teve início em minha terra natal, Curvelo e, até hoje tem um prolongamento no espaço tempo em que vivo.
O primeiro espetáculo de grande porte onde estive presente foi no velho Cine Teatro Brasil – de tantas histórias em Curvelo. Tudo começou com uma discussão por os ingressos já estarem esgotados, o bilheteiro perdendo a paciência comigo, e, a intervenção inusitada de Procópio Ferreira a determinar a colocação de uma cadeira extra e sem exemplo, um traço marcante em minha vida. Contei isto a Bibi Ferreira, fui abraçado por ela que se derramou em lágrimas.
Bituca eu conheci primeiro, nos primórdios do Edifício Arcângelo Maleta, de onde até hoje eu sou cliente, quando o mesmo, com a timidez que lhe era característica, chegava bem mais cedo e ficava a bebericar cervejas antes de subir para a execução do seu trabalho.
Quando esse trabalho eclodiu, Milton Nascimento tornou-se uma das cinco vozes mais bonitas do mundo, o que ninguém contesta. Que Deus prolongue a vida dele por muitos anos, principalmente agora que o mundo tanto carece de belezas capazes de encantar as almas de todos nós.
Paulinho da Viola típico personagem do samba eu conheci mais tarde, durante uma apresentação do mesmo em Belo Horizonte e, mais tarde, em outros palcos brasileiros. Como não poderia ser diferente também estive com ele em seu berço natural a Portela. Zona norte do Rio de Janeiro.
Sou Mangueira – orgulhoso de ter sido amigo pessoal de Cartola e dona Zica – porém sem deixar de reconhecer valores de quem os tenha. A primeira vez que fui à Portela foi para degustar uma feijoada da tia Surica. E lá estava Paulinho da Viola. Aproximei-me dele para reverenciá-lo. Uma simpatia em forma de talento. Quantas vezes eu o vi em palcos? Da mesma forma como Bituca, diversas vezes. Razão pela qual me considero um privilegiado.
Ao meu orgulho e a minha saudação. Eu acrreço meus votos de muitos anos de vida porque talento nesses dois é algo inesgotável.

